Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

5 min leitura

O adeus ao homem que substituiu Constâncio no BCE

Passados oito anos como vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), o espanhol Luís de Guindos dá lugar ao croata Boris Vujčić. De Guindos rejeita um regresso à política e vai abraçar a carreira académica

01 Jun 2026 - 10:03

5 min leitura

Luis de Guindos, vice-presidente do BCE | Foto: BCE/ Maria Rita Quitadamo

Luis de Guindos, vice-presidente do BCE | Foto: BCE/ Maria Rita Quitadamo

Foi o homem que, em 2018, substituiu Vítor Constâncio como vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE). Agora, passados oito anos, dá lugar ao croata Boris Vujčić.

Numa entrevista concedida a Andrés Stumpf, em 27 de maio, mas apenas divulgada ontem no sítio do BCE, De Guindos revela um pouco do que será o seu futuro. Rejeita um regresso à política espanhola e afirma que vai dedicar-se à carreira académica. «Vou assumir uma cátedra na Universidade Comillas e trabalhar com a IESE Business School. É uma função muito interessante que me permitirá manter-me atualizado através da análise de relatórios e tendências.»

Sem se pronunciar sobre uma eventual candidatura de Espanha à presidência do BCE — o ministro da Economia, Carlos Cuerpo, tem sido um dos nomes apontados para suceder a Christine Lagarde —, De Guindos afirma que o importante é «Espanha estar representada na Comissão Executiva do BCE». «A Espanha é a quarta maior economia da área do euro e a sua presença na Comissão Executiva do BCE é essencial e plenamente justificada. O seu sistema bancário foi saneado e demonstrou como as reformas implementadas há pouco mais de uma década permitem que a economia cresça quase duas vezes mais depressa do que a média europeia», afirma.

E acrescenta: «Para além dos desenvolvimentos políticos específicos, estas circunstâncias devem desempenhar um papel importante. É provável que Espanha tenha candidatos fortes e estou confiante de que conseguirá recuperar um lugar na Comissão Executiva nos próximos trimestres, à medida que os mandatos dos atuais membros forem chegando ao fim.»

Questionado sobre a necessidade de uma subida das taxas de juro na próxima reunião de 11 de junho, De Guindos considera que «estamos a enfrentar um choque global da oferta que se refletirá primeiro na inflação e depois no crescimento. Esse choque vai além da energia e afeta também outros bens, agravando a deterioração dos termos de troca. Tal terá um impacto particularmente acentuado no crescimento económico, tanto através do consumo como do investimento. E isso acabará por atenuar o impacto inicial da subida dos preços da energia sobre a inflação».

De Guindos refere ainda que «haverá um impacto claro no crescimento económico, que poderá ser ainda maior do que o causado pela invasão da Ucrânia pela Rússia, que foi, de certa forma, mais contida do ponto de vista regional. O Conselho do BCE terá tudo isso em consideração ao tomar a sua decisão, uma vez que esta situação representa um dilema para os bancos centrais. Além disso, em junho, o Conselho disporá de novas projeções macroeconómicas e de mais informação sobre o conflito, que continua a ser a grande incógnita».

O espanhol admite que, em 2021, o BCE atuou tardiamente, «tal como outros bancos centrais». «Mas a situação atual é completamente diferente. Agora enfrentamos um choque da oferta, mas as políticas económicas não são tão expansionistas como eram há alguns anos», considera.

Relativamente às reivindicações dos bancos europeus em matéria de simplificação da supervisão, De Guindos afirmou que «como referimos no relatório sobre simplificação apresentado à Comissão Europeia em dezembro, e aprovado por todos os bancos centrais da área do euro, o enquadramento de capital, a prestação de informação e a supervisão podem ser simplificados para eliminar duplicações ou redundâncias».

No entanto, alerta: «Seria um erro reduzir os requisitos de capital dos bancos europeus. Esses requisitos não restringem a concessão de crédito a empresas e famílias. Além disso, sustentam a solvabilidade e a robustez dos bancos. Diria mesmo que, atualmente, a solvabilidade do setor bancário europeu é uma das poucas vantagens comparativas que a Europa possui relativamente a outras regiões do mundo, e algo que não deve ser desperdiçado num contexto cada vez mais competitivo.»

De Guindos defende igualmente a venda da participação do Estado espanhol no CaixaBank (17,3%), cuja alienação foi adiada até dezembro de 2027, e apoia a consolidação bancária na Europa.

Questionado sobre o «grande problema» que ameaça a estabilidade financeira da área do euro, De Guindos considera que não existe «um único risco». «Comparativamente com há seis meses, a principal mudança é o aumento do risco geopolítico. Também me preocupam as elevadas valorizações dos mercados, a falta de margem orçamental e as dúvidas em torno do crédito privado e do capital próprio, bem como as suas ligações ao setor bancário.»

«Devemos recordar que uma crise financeira nunca resulta de um único fator. Um pode funcionar como desencadeador, mas os restantes atuam como amplificadores. É por isso que devemos analisar todos os riscos em conjunto», conclui De Guindos.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade