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O ano zero dos “azuis” e “vermelhos” em Portugal
A visão dos franceses do Grupo BPCE pode ir até 2030, mas para já o objetivo é fazer de Portugal um sucesso na primeira experiência na banca de retalho fora do território francês
26 Jun 2026 - 15:37
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A compra do Novo Banco pelos franceses do Grupo BPCE insere-se na estratégia definida pelo seu CEO, Nicolas Namias, que pretende expandir o segundo maior grupo financeiro francês, atrás do Crédit Agricole, para a banca de retalho fora de França. Portugal apresenta-se como o mercado ideal para o BPCE iniciar a sua expansão internacional e avaliar se o modelo adotado pode ser replicado noutros mercados.
A história do Grupo BPCE é a história de duas correntes distintas da tradição financeira francesa, simbolizadas pelas cores azul e vermelho: a das caixas económicas, criadas em 1818 e reconvertidas nos chamados bancos cooperativos pela lei de 25 de junho de 1999 relativa à poupança e à segurança financeira (os “vermelhos”); e a dos chamados bancos populares, criados em 1878 por empresários para financiar projetos de outros empresários através da filosofia da cooperação e da solidariedade (os “azuis”).
Estas duas visões financeiras fundiram as suas redes de agências em 2006, tendo acabado por juntar as suas estruturas centrais em julho de 2009, dando origem ao BPCE.
A visão cooperativa é uma constante no Grupo francês, assim como a necessidade de prestar contas aos seus acionistas. Existem 10 milhões de clientes que são acionistas do BPCE, mas são os “azuis” (Banques Populaires) e os “vermelhos” (Caisses d’Epargne) que controlam o BPCE e a quem Nicolas Namias tem de prestar contas.
Estas duas realidades, que partilham uma filosofia cooperativa comum, estão de tal forma presentes na cultura do BPCE que, quando o CEO fala às Caisses d’Epargne (os “vermelhos”), usa uma gravata vermelha; e quando vai ao Banque Populaire (os “azuis”), usa uma gravata azul.
Este jogo de cores concretizou-se na mistura que deu origem à nova imagem de marca do Grupo BPCE: o roxo, resultante da combinação do azul com o vermelho.
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