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Porque deverá Warsh manter as taxas de juro inalteradas
Analistas acreditam que o presidente da Reserva Federal norte-americana não deverá alterar as taxas de juro e consideram que a inflação continuará a ser o principal indicador a acompanhar
29 Jul 2026 - 09:00
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Kevin Warsh, presidente da FED/Foto: BCE
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Kevin Warsh, presidente da FED/Foto: BCE
A reunião do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) da Reserva Federal norte-americana (Fed), que começou ontem e termina nesta quarta-feira, deverá terminar com a manutenção das taxas de juro. Kevin Warsh, o novo presidente da Fed, afirmou recentemente perante o Senado norte-americano que não iria tolerar uma «inflação persistentemente elevada».
Ainda assim, Warsh enfrenta um Comité Federal de Mercado Aberto dividido, com três ou quatro dos doze membros com direito de voto potencialmente favoráveis a uma subida imediata das taxas de juro. De acordo com a ferramenta CME FedWatch, os investidores atribuem uma probabilidade de cerca de 40% a um aumento das taxas já nesta reunião.
Para Jenny Zeng, diretora global de investimentos em obrigações (Global Chief Investment Officer – Fixed Income) da Allianz Global Investors (AllianzGI), «os últimos dados deram alguma margem de manobra à Fed, sem alterarem de forma significativa as perspetivas para a política monetária. Os preços no consumidor abrandaram em junho, enquanto a melhoria do mercado de trabalho perdeu parte do seu dinamismo. Assim, esperamos que o Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) mantenha o intervalo-alvo da taxa dos fundos federais inalterado entre 3,50% e 3,75%.»
Segundo os analistas da Allianz Global Investors, «após a mudança para uma postura mais restritiva em junho, não esperamos que o presidente Warsh forneça indicações sobre o próximo passo. Em vez disso, deverá enfatizar a maior vigilância do Comité, após mais de cinco anos de inflação acima do objetivo, preservando simultaneamente a máxima flexibilidade antes da reunião de setembro».
«Com uma economia resiliente, uma inflação subjacente medida pelo índice PCE (Personal Consumption Expenditures) que continua acima dos 3% em termos homólogos e com fatores inflacionistas — incluindo a nova subida dos preços do petróleo, os estrangulamentos associados à inteligência artificial e as restrições mais amplas nas cadeias de abastecimento — ainda a representarem riscos em alta, é improvável que os decisores de política monetária atribuam demasiada importância a um único dado favorável sobre a inflação», referem os analistas.
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Jenny Zeng acrescenta que «embora consideremos Kevin Warsh um forte defensor do controlo da inflação, ele acredita também no potencial efeito desinflacionista da inteligência artificial e do aumento da produtividade. Contudo, antes de a Reserva Federal poder sustentar de forma credível uma visão tão otimista do lado da oferta, terá de restaurar plenamente a sua credibilidade no combate à inflação. Manter a inflação acima do objetivo, argumentando simultaneamente que os futuros ganhos de produtividade resolverão o problema, apenas contribuiria para fragilizar ainda mais essa credibilidade».
«Assim, esperamos que Warsh dê prioridade ao controlo da inflação, mantendo uma política monetária suficientemente restritiva até que a inflação apresente sinais mais claros de moderação. Esta estratégia poderá reforçar a credibilidade da Reserva Federal antes de a esperada aceleração estrutural da produtividade passar a ter maior peso nas decisões de política monetária. Embora seja provável que o FOMC mantenha as taxas de juro inalteradas em julho, continuamos a antecipar um aperto monetário acumulado de 50 pontos base até ao final do ano», conclui a responsável da Allianz Global Investors.
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