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Novo aviso do «banco central dos bancos centrais»: IA pode distorcer variáveis fundamentais para a política monetária
Responsáveis do BIS alertam que a inteligência artificial poderá dificultar a estimativa de variáveis como as taxas naturais de juro e de desemprego
29 Jul 2026 - 07:30
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Foto: Adobe Stock/InfiniteFlow
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É mais um alerta para os riscos associados ao desenvolvimento acelerado da inteligência artificial (IA). Um estudo do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS), frequentemente designado como o «banco central dos bancos centrais», conclui que a expansão da IA poderá dificultar o trabalho dos bancos centrais na definição da política monetária, ao alterar ou distorcer variáveis económicas fundamentais.
Segundo os especialistas do BIS, «a IA afeta simultaneamente a procura e a oferta, tanto de forma cíclica como estrutural. Além disso, os seus efeitos diferem entre setores, tornando mais complexa a avaliação das tendências subjacentes».
O relatório, divulgado esta semana, acrescenta que «um forte dinamismo da atividade económica pode refletir fatores temporários do lado da procura, como ciclos de investimento ou efeitos de riqueza, em vez de aumentos sustentados do produto potencial, enquanto os ganhos de produtividade são desiguais entre setores e difíceis de medir. Assim, o boom da IA poderá alterar importantes variáveis não observáveis, incluindo as taxas naturais de juro e de desemprego, frequentemente utilizadas na condução da política monetária».
O BIS considera que «uma maior incerteza aumenta o risco de uma calibração inadequada da política monetária». Segundo a instituição, «se os bancos centrais sobrestimarem as melhorias do lado da oferta ou subestimarem o aumento da procura subjacente, a política monetária poderá manter-se excessivamente acomodatícia. Em sentido inverso, o risco oposto poderá conduzir a condições monetárias desnecessariamente restritivas. Neste contexto, uma abordagem gradual e dependente dos dados poderá contribuir para reduzir o risco de erros de política».
O boom da IA poderá igualmente ter implicações relevantes para a estabilidade financeira. O BIS salienta que «a IA pode alterar profundamente os modelos de negócio de determinados setores e gerar efeitos de contágio negativos sobre as cotações bolsistas e as perspetivas de emprego dessas atividades, como aconteceu com as empresas de software as a service (SaaS), em fevereiro de 2026. Em algumas jurisdições, os elevados ganhos resultantes das exportações poderão também contribuir para a formação de bolhas nos preços dos ativos domésticos».
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De forma mais abrangente, o BIS considera que um dos principais riscos da atual conjuntura reside na possibilidade de as expectativas quanto ao impacto transformador da IA se revelarem excessivamente otimistas, aumentando o risco de sobreinvestimento, de afetação ineficiente de recursos e de deterioração da qualidade do crédito.
Segundo o relatório anual do Banco de Pagamentos Internacionais de 2026, uma eventual correção dos preços dos ativos poderá agravar as condições financeiras, reduzir o investimento e enfraquecer a procura agregada.
Esse cenário começou já a refletir-se nos mercados financeiros. Ontem registou-se uma forte correção bolsista nas empresas mais relevantes para a infraestrutura da inteligência artificial, com quedas próximas de 30%.
Nos Estados Unidos, a SanDisk, que acumulava uma valorização anual superior a 350% e era a ação com melhor desempenho em Wall Street, registou a maior correção, com uma queda de 48%.
Seguiram-se a Intel, com um recuo de quase 38%, a Lam Research, que perdeu 33%, e a Micron, cuja cotação desvalorizou 31%.
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