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Quase 15% do crédito do banco moçambicano da CGD estava em incumprimento em março

Já o banco moçambicano do BCP, o Millennium BIM, é dos poucos que apresenta um rácio abaixo dos 5% recomendados.

28 Mai 2026 - 09:45

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Foto: BCI

Foto: BCI

Quase 15% do crédito concedido pelo banco BCI, o maior em Moçambique, liderado pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), estava em incumprimento em 31 de março, mas outros bancos mantinham igualmente rácios acima dos 5% recomendados pelo regulador. No relatório do Banco de Moçambique sobre os Indicadores Prudenciais e Económico-Financeiros de janeiro a março, divulgado nesta quinta-feira, o BCI surge com um rácio de crédito em incumprimento de 14,47% (14,18% no trimestre anterior), mas reforçando para um rácio de cobertura de 21,03%.

Já o Millennium BIM, outro dos dois maiores do país (ambos acima de dois milhões de clientes) e detido pelo português BCP, viu o rácio de crédito em incumprimento no primeiro trimestre do ano cair, para 2,37% (2,69% no trimestre anterior), com um rácio de cobertura de 86,57%.

No terceiro trimestre de 2025, o Ecobank surgia com 78,54% do crédito concedido em incumprimento. Entretanto, o FDH Bank, do Maláui, confirmou no final de setembro ter concluído a aquisição do Ecobank Moçambique, que passou a liderar, com uma quota de 98,87%. A instituição, que desde 20 de fevereiro último passou oficialmente a designar-se FDH Bank Moçambique, surgiu no último trimestre de 2025 com um volume de NPL de apenas 1,62%, sem qualquer explicação no documento para esta redução, voltando a reduzir esse peso, para 1%, até março, e com um rácio de cobertura de 86,81%.

Segundo o relatório do primeiro trimestre do banco central, o Moza Banco fechou 2025 com um rácio de crédito malparado de 29,21%, que se reduziu para 27,58% até março, com um rácio de cobertura de 36,42%, enquanto o Access Bank manteve o registo do período anterior, de 6,96%.

Elaborado com base em dados fornecidos pelas próprias instituições financeiras, o documento aponta ainda que o First National Bank, Standard Bank, First Capital Bank e Absa apresentavam um rácio de NPL dentro do parâmetro recomendado (abaixo de 5%), respetivamente de 4,66%, 0,64%, 1,66% e 4,15%.

O Banco de Moçambique alertou anteriormente para a deterioração na carteira de crédito da banca nacional, com o incumprimento a subir em 2024 e os clientes a deverem o equivalente a mais de 400 milhões de euros.

No relatório de estabilidade financeira, o banco central referia que o rácio de NPL se fixou em 2024 em 9,32% do total, contra 8,23% no ano anterior, “continuando acima do limite máximo de 5%, convencionalmente aceite”. “Este aumento reflete uma deterioração da qualidade da carteira de crédito e a mudança da tendência registada nos anos anteriores”, lê-se no documento, que acrescenta que o crédito em incumprimento totalizou 30,41 mil milhões de meticais (412 milhões de euros) em 2024, um aumento de 12,88%.

Dados do banco central indicam que funcionam atualmente em Moçambique 15 bancos comerciais e 12 microbancos, além de cooperativas de crédito e organizações de poupança e crédito, entre outras.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT50

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