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Quase 30% do crédito do moçambicano Moza Banco em incumprimento em junho

De acordo com os dados do Banco de Moçambique, o BCI reduziu o rácio NPL para 14,11%, enquanto o Millennium BIM teve uma subida para 2,62%.

13 Ago 2026 - 11:24

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Foto: Pexels

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Quase 30% do crédito concedido pelo Moza Banco estava em incumprimento em 30 de junho, agravando-se face aos 27,58% registados três meses antes, enquanto outros bancos mantinham igualmente rácios acima dos 5% recomendados pelo regulador.

No relatório do Banco de Moçambique sobre os Indicadores Prudenciais e Económico-Financeiros relativos ao segundo trimestre, consultado pela Lusa nesta quinta-feira, o Moza Banco – intervencionado em 2016 pelo banco central quando era participado pelo português Novo Banco – surge com um rácio NPL de 29,66%, acima dos 27,58% observados em março, mas reforçando simultaneamente o rácio de cobertura para 46,85%, contra 36,42% no trimestre anterior.

Já o BCI, o maior banco do país e liderado pela portuguesa Caixa Geral de Depósitos (CGD), reduziu ligeiramente o rácio de crédito em incumprimento para 14,11%, face aos 14,47% registados no primeiro trimestre, embora mantendo um rácio de cobertura de 25,11%. O Millennium BIM, outro dos dois maiores bancos do país, detido pelo português BCP, viu o rácio de crédito em incumprimento subir para 2,62%, face aos 2,37% registados em março, apresentando um rácio de cobertura de 91,91%.

No terceiro trimestre de 2025, o Ecobank surgia com 78,54% do crédito concedido em incumprimento. Entretanto, o FDH Bank, do Maláui, concluiu a aquisição do Ecobank Moçambique, que passou a liderar, e a instituição, atualmente designada FDH Bank Moçambique, manteve um dos melhores indicadores do sistema, com apenas 0,13% do crédito em incumprimento, após saneamento de dívida, contra 1% observado em março, e um rácio de cobertura de 99,98%.

Segundo o relatório do segundo trimestre do banco central, o Access Bank Moçambique reduziu o rácio de crédito malparado para 5,46%, face aos 6,96% registados em março, permanecendo ainda acima do limite prudencial de 5% geralmente aceite pelo regulador.

Elaborado com base em dados fornecidos pelas próprias instituições financeiras, o documento aponta ainda que o First National Bank (FNB), o Standard Bank Moçambique, o First Capital Bank (FCB), o ABSA Bank Moçambique e o Nedbank Moçambique apresentavam um rácio de NPL dentro do parâmetro recomendado (abaixo de 5%), respetivamente de 3,12%, 1,48%, 1,66%, 4,07% e 3,2%.

Já outras instituições continuavam acima daquele limite, incluindo o Banco Letshego (9,2%), o Banco Nacional de Investimento (BNI) (7,21%), o Vista Bank Moçambique (19,06%) e o United Bank for Africa (UBA) (8,59%).

De acordo com um relatório anual do Banco de Moçambique, o setor bancário “permaneceu estável, com rendibilidade satisfatória e níveis adequados de capitalização e liquidez” em 2025. Acrescenta que o rácio NPL fixou-se em 7,47%, refletindo “uma melhoria da qualidade da carteira de crédito”, impulsionada por saneamentos e regularizações, retomando a tendência de redução interrompida em 2024, após os 9,31% registados no ano anterior.

Em termos absolutos, o crédito em incumprimento totalizou 27,99 mil milhões de meticais (384 milhões de euros) no final de 2025, contra 30,41 mil milhões de meticais (417 milhões de euros) um ano antes, o que representa uma redução de 7,97%. Contudo, o banco central assinala que o indicador permanece acima do “limite de 5%, internacionalmente recomendado”.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT50

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