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Redes sociais aceleram a concorrência entre bancos nos juros dos depósitos
Banco Internacional de Pagamentos publicou um estudo que analisa a influência das redes sociais na forma como os bancos digitais ajustam as taxas de juro dos seus depósitos nos EUA
09 Jun 2026 - 07:30
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Intitulado “A digitalização do sector bancário e das redes sociais: implicações para a fixação das taxas dos depósitos”, um estudo do Banco Internacional de Pagamentos (BIS), frequentemente designado como o banco central dos bancos centrais, analisa de que forma duas tendências digitais interligadas — a transição para a banca digital e a rápida difusão das redes sociais — influenciam a remuneração dos depósitos de retalho nos Estados Unidos.
Utilizando dados ao nível das agências bancárias, o estudo, que foi revelado esta semana, compara bancos digitais, que operam predominantemente através de canais virtuais, com bancos tradicionais, que continuam a assentar em redes físicas de balcões. O objetivo foi avaliar se os bancos digitais e tradicionais diferem nas taxas de juro oferecidas em contas à ordem, contas poupança e depósitos a prazo de pequeno montante, bem como a rapidez e intensidade com que essas taxas se ajustam às alterações da taxa diretora da Reserva Federal norte-americana (Fed).
O trabalho analisou ainda se a atividade local nas redes sociais reforça a resposta dos bancos às decisões de política monetária num ambiente financeiro cada vez mais digitalizado.
As conclusões apontam para o facto de os bancos digitais remunerarem os depósitos com taxas de juro mais elevadas do que os bancos tradicionais, sobretudo nas contas poupança e nos depósitos a prazo de pequeno montante. O estudo conclui igualmente que estas instituições ajustam as suas taxas de forma mais intensa em resposta às alterações da política monetária.
Outra das conclusões refere que a sensibilidade das taxas de depósito varia consoante o produto. As contas à ordem são as menos sensíveis às alterações das taxas de juro, enquanto os depósitos a prazo de pequeno montante são os mais sensíveis. Além disso, a transmissão da política monetária revela-se assimétrica: as taxas de depósito reagem de forma mais acentuada quando a política monetária é expansionista do que quando é restritiva.
No que respeita à influência das redes sociais, o estudo conclui que estas intensificam a concorrência entre os bancos, em particular entre os bancos digitais. Nos estados norte-americanos com maior utilização do Twitter entre 2016 e 2019, as agências dos bancos digitais aumentaram as taxas de remuneração dos depósitos de forma mais expressiva após subidas da taxa de juro de referência, sobretudo nos depósitos a prazo de pequeno montante. Segundo o BIS, este comportamento sugere que a maior rapidez na circulação da informação e a crescente atenção dos depositantes reforçam a concorrência baseada no preço.
De forma geral, o estudo conclui que a digitalização e as redes sociais tornam os depósitos de retalho mais sensíveis às alterações das taxas de juro e podem acelerar a transmissão da política monetária para os custos de financiamento dos bancos, especialmente nos produtos de poupança com remunerações mais elevadas. Esta evolução tem implicações relevantes para as estratégias de financiamento das instituições financeiras, para a valorização das carteiras de depósitos e para a velocidade de transmissão da política monetária à economia.
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