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Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito de 2025 Crédito de boa saúde em Portugal
Por Duarte Gomes Pereira, Diretor-Geral da ASFAC - Associação de Instituições de Crédito Especializado
01 Jul 2026 - 07:30
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De acordo com o Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito 2025 emitido no dia 22 de Junho, o Banco de Portugal conclui que o mercado de crédito em Portugal apresentou um crescimento significativo em 2025, impulsionado sobretudo pela descida das taxas de juro, pela resiliência do emprego e, no crédito à habitação, pela Garantia Pública para Jovens. Simultaneamente, os níveis de incumprimento mantiveram-se globalmente controlados, apesar do reforço dos mecanismos de prevenção e gestão do incumprimento.
No que respeita ao crédito aos consumidores, verificou-se um considerável crescimento, mantendo a trajetória de crescimento que se tem vindo a verificar no passado (+4% no número de contratos celebrados; +11% no montante total concedido; refletindo-se em cerca de 761 milhões de euros concedidos por mês).
Por segmentos, o crédito pessoal continua a ganhar peso no mercado – 44,8% do volume total de crédito aos consumidores (44,1% em 2024), representando o crédito automóvel 39,4%. Em sentido inverso, os novos plafonds de crédito revolving tiveram uma evolução mais modesta. A relação crédito pessoal/crédito automóvel, no panorama nacional representa uma tendência inversa ao universo ASFAC, onde o crédito automóvel tem um peso superior ao crédito pessoal.
Segundo os dados do BdP neste relatório, o montante médio por contrato de crédito pessoal é de 7.100€ por contrato, ao passo que no crédito automóvel o montante médio subiu de 15.300€ para 15.800€
Em relação às taxas de juro, em 2025 verificou-se uma redução do custo do crédito, com uma redução de menos 0,2 pontos percentuais face a 2024, fixando-se a TAEG média do mercado em 12,6% no final de 2025. Com isto, verifica-se que o custo médio do crédito diminuiu em 2025, acompanhando a descida das taxas de juro de mercado. Esta evolução não evidencia, à luz dos dados apresentados pelo Banco de Portugal, uma necessidade de adoção de medidas adicionais de limitação das taxas de juro no crédito ao consumo.
Quanto ao incumprimento, e mais uma vez o reflexo da boa qualidade do crédito concedido, tivemos em 2025 um rácio de incumprimento de 1,2% no que respeita ao montante total do crédito concedido e de 4,7% em relação ao número de contratos. Ou seja, apesar do crescimento da produção, a qualidade da carteira manteve-se globalmente estável e, em alguns segmentos, melhorou, significando que o risco continua controlado e que não existem sinais de deterioração generalizada do mercado.
O Relatório refere ainda que se verificou um aumento dos PARI e do PERSI, embora este aumento, não resulte de uma degradação da carteira, mas sim das alterações procedimentais introduzidas pela Carta Circular CC/2024/00000033, que obrigou a um alargamento dos critérios de deteção precoce, tendo as instituições passado a integrar clientes mais cedo nos procedimentos preventivos. Aliás, o BdP refere expressamente no Relatório que “O aumento dos PERSI não reflete necessariamente um agravamento efetivo do incumprimento.”, referindo igualmente que as instituições estão a atuar de forma mais preventiva.
O Relatório dedica igualmente espaço ao tema dos intermediários de crédito, dando nota que o crédito concedido através dos mesmos ultrapassa 50% do mercado (mais concretamente 50,6%) em montante concedido. O maior peso verifica-se no crédito automóvel, onde o crédito concedido por intermediários (a título acessório) representa 82,6% do montante concedido.
Do total de intermediários a atuar em Portugal em Dezembro de 2025 (6.216) 21,8% dedicam-se ao crédito à habitação e 62% ao crédito aos consumidores. Mantém-se a preponderância dos intermediários de crédito a título acessório (lojas, stands de automóveis, etc.), que representa, 59,9% do total e 40% são intermediários de crédito vinculados.
Em relação ao crédito à habitação, a carteira de crédito continuou a crescer em 2025, refletindo o forte dinamismo da contratação observado ao longo do ano. No final de 2025, as instituições tinham em carteira cerca de 1,33 milhões de contratos de crédito à habitação, mais 2,1% do que em 2024. O saldo em dívida atingiu 111,7 mil milhões de euros, representando um aumento de 11,6%.
O crescimento do saldo em dívida foi bastante superior ao crescimento do número de contratos, sendo o saldo médio por contrato de 84 mil euros, representando um aumento de 9,3% face a 2024.
O crédito à habitação registou um dos anos mais fortes de sempre. Em 2025 foram celebrados 133.602 novos contratos, mais 11,5% do que em 2024, correspondendo a 23,4 mil milhões de euros de crédito concedido, um crescimento de 34,9%, resultado, em grande parte, do efeito da Garantia do Estado neste tipo de crédito.
No que respeita ao prazo médio dos novos contratos de crédito à habitação aumentou de 30,7 anos para 31,7 anos, resultando essencialmente do maior peso de mutuários jovens, da utilização da Garantia do Estado e da possibilidade de contratação de créditos com maturidades mais longas.
A taxa mista continuou a ser a mais utilizada, embora tenha perdido algum peso em 2025, resultado, em grande parte, da descida das taxas Euribor, o que levou muitos consumidores a regressarem às soluções de taxa variável.
A quase totalidade da carteira continua a corresponder a crédito à habitação com garantia hipotecária (99,6% dos contratos e 99,9% do saldo em dívida).
Em conclusão, e no que respeita ao crédito ao consumo, o relatório transmite uma imagem globalmente positiva do setor, onde se verifica
- Um crescimento significativo do crédito aos consumidores (+11%);
- Forte dinamismo do crédito pessoal e automóvel;
- Redução do custo médio do crédito;
- Incumprimento globalmente controlado;
- Reconhecimento pelo Banco de Portugal do reforço das práticas preventivas das instituições.
É ainda assinalada, e deverá ser dada atenção à intervenção crescente dos intermediários de crédito, tornando particularmente relevante a futura revisão do respetivo regime jurídico.
Em síntese, o relatório do Banco de Portugal confirma que 2025 foi um ano de crescimento da concessão de crédito, quer no crédito à habitação quer no crédito aos consumidores, sem deterioração material da qualidade das carteiras. O relatório reconhece igualmente o esforço das instituições na implementação das novas orientações relativas à prevenção e regularização do incumprimento, o que constitui uma mensagem favorável para o setor representado pela ASFAC.
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