3 min leitura
Sintra, Davos e as montanhas do Wyoming
Por Miguel Alexandre Ganhão, Diretor do Jornal PT50
29 Ago 2026 - 07:50
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Miguel Alexandre Ganhão, Editor-executivo Jornal PT50
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Miguel Alexandre Ganhão, Editor-executivo Jornal PT50
O mundo económico discute os grandes problemas (e as possíveis soluções) em três grandes fóruns. O primeiro realiza-se no mês de janeiro, em Davos, na Suíça. Trata-se do encontro anual do Fórum Económico Mundial, onde está toda a gente que é gente e que lida com dinheiro.
Na edição de 2026, Trump deixou uma ideia do que seria o comportamento dos Estados Unidos perante o mundo: um distanciamento cada vez maior em relação à Europa, a exploração do petróleo venezuelano e nem uma palavra sobre o Irão.
Portugal tem o privilégio de ser o anfitrião do segundo encontro mais importante. Realizado a meio do ano (fins de junho, inícios de julho), o Fórum do Banco Central Europeu, em Sintra, é um momento de reflexão sobre o que já aconteceu e sobre o que está para acontecer.
Na edição de 2026, Sintra recebeu um convidado inesperado. O recém-nomeado presidente da Reserva Federal norte-americana, Kevin Warsh, teve no nosso país a sua estreia nos grandes palcos internacionais.
Nessa altura, Warsh já manifestava a sua aversão ao excesso de previsões económicas, dizendo: “Os mercados financeiros e a economia real funcionam melhor quando reduzimos a volatilidade e olhamos para a economia real”, uma narrativa que aprofundou no simpósio de Jackson Hole, que termina este sábado nas Montanhas Rochosas do Wyoming, nos Estados Unidos.
Jackson Hole tem sido, desde o seu início, em 1978, uma montra onde a economia americana mostra a sua pujança e o dólar, o seu domínio na economia mundial. Foi por isso particularmente importante o discurso realizado ontem por Kevin Warsh, no qual o novo presidente da Fed redefiniu os princípios de trabalho da Reserva Federal.
“Discrição e resultados” foram os princípios anunciados por Warsh, que mais uma vez desdenhou do “excesso de previsões” e apontou a identificação de “tendências” e uma reação atempada como o objetivo fundamental da Fed.
Com a inflação nos 3,4% e sem sinais de abrandamento nos componentes do índice de preços, o mercado sinalizou uma ou duas subidas dos juros como decisões prováveis na economia americana, reagindo com sinais positivos.
Se estas subidas se concretizarem, estaremos perante uma ironia devastadora para o presidente Donald Trump, que nomeou Warsh no pressuposto de que uma Fed domesticada baixaria as taxas tantas vezes quantas fossem necessárias para estimular o crescimento da economia.
As montanhas do Wyoming prometem ser para Warsh uma paisagem mais agreste do que os idílicos jardins de Sintra que encantaram Lord Byron.
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