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Isabel Schnabel: “Bancos centrais têm de trazer o dinheiro para o ambiente tokenizado”

Membro do Conselho Executivo do BCE defende que a zona euro tem muito a ganhar com a tecnologia de registo distribuído (DLT) e que a “tokenização tem o potencial de remodelar fundamentalmente os mercados financeiros”

29 Ago 2026 - 07:48

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Isabel Schnabel, membro da Comissão Executiva do BCE | Foto: BCE

Isabel Schnabel, membro da Comissão Executiva do BCE | Foto: BCE

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Foi a primeira representante do Banco Central Europeu (BCE) a intervir no simpósio de Jackson Hole, que começou na quinta-feira e termina este sábado. Na ausência de Christine Lagarde, todos os olhares se concentravam na intervenção de Isabel Schnabel e do economista-chefe do BCE, Philip Lane.

Schnabel participou ontem no painel sobre “Inovação em Finanças Tokenizadas”, em conjunto com Darrell Duffie, professor da Universidade de Stanford.

A representante do BCE começou por considerar que “a tokenização no setor financeiro grossista emergiu como uma das aplicações mais promissoras da tecnologia de registo distribuído (DLT), permitindo que ativos financeiros e dinheiro sejam representados como tokens digitais em plataformas programáveis”.

“Os benefícios potenciais da tokenização são substanciais. Isso é particularmente verdadeiro para a zona euro, visto que a tokenização representa uma oportunidade para fomentar a integração, permitindo que ativos e liquidação operem em infraestruturas comuns”, acrescentou.

Para aquela responsável, o desenvolvimento das finanças tokenizadas só pode ser feito com base no dinheiro do banco central. Para tal, Schnabel sugere que “os bancos centrais adotem a tecnologia de registo distribuído (DLT) e migrem os seus próprios sistemas para a blockchain”.

“Trazer o dinheiro do banco central para a blockchain não apenas preservaria o seu papel como base de liquidação, mas também permitiria que os bancos centrais aproveitassem a programabilidade dos registos distribuídos para modernizar a implementação da política monetária, a gestão de garantias e a provisão de liquidez, promovendo, assim, a estabilidade financeira”, defende.

A representante do Conselho Executivo do BCE dá exemplos concretos destas vantagens. “Esses benefícios são particularmente significativos em transações internacionais e em diferentes fusos horários. Como as garantias geralmente precisam de ser pré-posicionadas durante a noite, as transações de recompra transfronteiriças exigem um pré-financiamento significativo. A liquidação programável poderia eliminar em grande parte esse atrito operacional e melhorar a mobilidade e a disponibilidade das garantias”, defende.

No caso da zona euro, as vantagens são, para Schnabel, evidentes: “A infraestrutura financeira europeia permanece fragmentada segundo linhas nacionais, criando atritos que limitam a escala, a concorrência e os fluxos de capital transfronteiriços.” E, mais uma vez, exemplifica: “Investir em títulos soberanos na zona euro geralmente exige acesso a vários depositários centrais de valores mobiliários, aumentando a complexidade operacional e favorecendo os participantes de mercado maiores, que podem absorver os custos associados.”

“A tokenização oferece um caminho para um ecossistema integrado desde a sua conceção, em vez de uma mera junção de sistemas nacionais. Por conseguinte, está intimamente alinhada com os objetivos da União Europeia de Poupança e Investimento”, diz aquela responsável, para quem a “questão, portanto, não é se o dinheiro do banco central deve continuar a ancorar o sistema financeiro, mas sim como ele deve ser disponibilizado num ambiente tokenizado”.

Schnabel defende que “a tokenização tem o potencial de remodelar fundamentalmente os mercados financeiros grossistas”, mas, para isso acontecer, é necessário que “os bancos centrais adotem a tecnologia on-chain. Isso significa trazer o dinheiro dos bancos centrais para o ambiente tokenizado e modernizar as ferramentas de implementação de políticas”.

“É precisamente para este caminho que o BCE se encaminha com os seus projetos Pontes e Appia, pavimentando a trajetória da Europa rumo a um sistema financeiro tokenizado”, concluiu a responsável do BCE.

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