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Testes de stress mostram que um período de tensão com a duração de 30 dias conduz a saídas líquidas entre 0,5% e 0,7% do total dos ativos financeiros

Comité Europeu do Risco Sistémico realça os chamados “efeitos de segunda ordem” e chama a atenção para a importância dos fundos de investimento como veículos de contágio

20 Set 2026 - 07:38

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branqueamento de capitais/Foto: Freepick

branqueamento de capitais/Foto: Freepick

O Comité Europeu do Risco Sistémico publicou um documento que analisa os “Testes de esforço de liquidez do sistema financeiro da União Europeia (UE)”. O trabalho mostra que os cenários de liquidez adversos aplicados nos testes de esforço realizados na UE incorporam “descidas dos preços dos ativos, levantamentos de depósitos, resgates de unidades de participação em fundos de investimento e resgates de apólices de seguros, refletindo, no seu conjunto, uma deterioração generalizada das condições de financiamento e de liquidez nos mercados”.

Apesar das diferenças metodológicas significativas entre os modelos utilizados nas principais jurisdições europeias, as conclusões são, em termos gerais, consistentes. “Ao longo de um horizonte de tensão de 30 dias, as saídas líquidas agregadas situam-se entre 0,5% e 0,7% do total de ativos financeiros”, refere o Comité.

Segundo aquele organismo, “os bancos representam a maioria destas saídas, refletindo o seu papel enquanto principais fornecedores de transformação de liquidez no sistema financeiro. Embora, de um modo geral, os bancos permaneçam resilientes durante o horizonte de tensão de curto prazo, algumas instituições poderão enfrentar défices de liquidez significativos num cenário de tensão prolongada, caso não sejam adotadas medidas de gestão, não haja intervenção das autoridades de supervisão ou apoio do banco central”.

Mas o problema está nos chamados “efeitos de segunda ordem”, que podem amplificar de forma substancial o choque inicial provocado por resgates em massa.

“As necessidades de liquidez podem obrigar as instituições a vender ativos, gerando externalidades associadas a vendas forçadas (fire sales) e novas descidas dos preços. Dependendo dos pressupostos relativos às estratégias de liquidação, as vendas forçadas podem variar significativamente e provocar impactos relevantes nos mercados, particularmente nos mercados acionistas”, refere o estudo.

Um outro alerta do Comité Europeu do Risco Sistémico diz respeito aos fundos de investimento, que surgem como “um canal particularmente importante de transmissão dos choques. A sua sensibilidade aos resgates e as suas participações significativas em valores mobiliários transacionáveis podem amplificar a evolução adversa dos mercados e contribuir para perdas mais generalizadas em todo o sistema”.

A análise realizada pelo Comité mostra que “um inquérito realizado junto das autoridades da UE demonstra que os testes de esforço de liquidez de todo o sistema já são amplamente utilizados. Entre os inquiridos, 87% afirmam dispor de um quadro de SLST, utilizado principalmente para fins de supervisão e acompanhamento macroprudencial. A maioria dos quadros centra-se no setor bancário, enquanto apenas uma minoria incorpora explicitamente efeitos de contágio, respostas comportamentais ou interações entre riscos de liquidez e de solvabilidade”.

“Em segundo lugar”, o documento desenvolve uma base de dados abrangente sobre as interligações financeiras, abrangendo aproximadamente 83 biliões de euros de ativos financeiros na área do euro. Esta base de dados permite mapear as ligações diretas e indiretas entre bancos, fundos de investimento, seguradoras, famílias, governos e o resto do mundo”, refere o estudo.

A análise confirma “o papel central dos bancos na intermediação financeira da área do euro, ao mesmo tempo que evidencia a importância dos fundos de investimento enquanto fonte de financiamento e potencial canal de contágio, através da sobreposição de carteiras e de exposições comuns”.

“Ao mesmo tempo, os resultados salientam o papel estabilizador das intervenções dos bancos centrais. O acesso ao financiamento dos bancos centrais e aos programas de compra de ativos pode reduzir significativamente as vendas forçadas de ativos e atenuar o impacto da tensão de liquidez nos mercados”, conclui o documento.

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