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Vice-presidente do BCE junta a sua voz ao coro de preocupações sobre o sobreaquecimento do mercado de capitais
Luís de Guindos afirma que, caso ocorram quedas repentinas no mercado, os balanços das instituições financeiras não bancárias da zona euro podem ficar sob pressão.
17 Nov 2025 - 10:50
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Luis de Guindos, vice-presidente do Banco Central Europeu
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Luis de Guindos, vice-presidente do Banco Central Europeu
É mais uma voz a alertar para o sobreaquecimento do mercado de capitais, em particular do valor das tecnológicas nos Estados Unidos que se dedicam ao desenvolvimento de soluções de Inteligência Artificial (IA). O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), que se encontra em final de mandato, apontou nesta segunda-feira como uma das principais ameaças à estabilidade financeira a volatilidade dos mercados financeiros, “que permanecem vulneráveis a ajustes bruscos e correlacionados nos preços dos ativos”.
Luís de Guindos, que falava na abertura da Semana das Finanças Europeias, organizada pelo Grupo de Finanças Europeias dfv e que se realiza em Frankfurt, afirmou que o “renovado otimismo desde a recuperação dos mercados de ações globais após as mínimas de abril elevou ainda mais as avaliações já muito altas. Ao mesmo tempo, a concentração de mercado e a interconexão entre um pequeno grupo de grandes empresas de tecnologia sediadas nos EUA aumentaram ainda mais, expondo os mercados a riscos decorrentes de potenciais choques nos seus modelos de negócio relacionados com a inteligência artificial”.
O responsável alertou para o facto de que, “caso ocorram quedas repentinas no mercado, os balanços das instituições financeiras não bancárias da zona euro podem ficar sob pressão. Vulnerabilidades persistentes de liquidez em fundos abertos e focos de elevada alavancagem em hedge funds aumentam o risco de vendas forçadas, o que poderia amplificar o stress do mercado”.
Outra vulnerabilidade assinalada por De Guindos prende-se com os elevados níveis de dívida em alguns países da zona euro, o que fará com que os défices orçamentais em níveis elevados persistam nos próximos anos. “Além disso, os orçamentos têm de lidar com múltiplos desafios a médio e longo prazo, nomeadamente a necessidade de aumentar substancialmente a tão necessária despesa em defesa, tendo em conta a nova meta da NATO. Assim, o incumprimento do novo quadro fiscal da União Europeia (UE) poderá testar a confiança dos investidores, particularmente em países com contextos políticos mais frágeis”, refere o vice-presidente do BCE.
Por último, a terceira vulnerabilidade relaciona-se com o setor empresarial. Para De Guindos, “embora os bancos da zona euro tenham demonstrado resiliência a choques recentes, podem enfrentar uma deterioração da qualidade do crédito e um aumento das necessidades de provisionamento, à medida que os efeitos das tarifas se propagam pela economia real”.
Segundo o responsável, “as fricções comerciais e a recente valorização do euro agravaram a pressão sobre o setor empresarial, resultante da fraca procura e do elevado peso do serviço da dívida. Setores sensíveis às tarifas e orientados para a exportação, como o das manufaturas, representam uma grande parte do valor acrescentado total, do crédito e do emprego”.
Para o vice-presidente do BCE, “há pelo menos três razões para essas preocupações. Primeiro, os choques podem ser exacerbados por múltiplas camadas de alavancagem — ao nível da empresa, do fundo e do investidor — ou por descasamentos de liquidez em alguns fundos privados abertos. Segundo, os mercados privados não são transparentes. Práticas de avaliação opacas levantam preocupações sobre a possibilidade de contabilização incorreta e reconhecimento tardio de perdas. Atualmente, parecem existir desafios na execução de saídas dos mercados de private equity, o que pode sugerir uma desconexão entre os valores contabilísticos e de mercado. Isso tem implicações potenciais para a confiança dos investidores e para a estabilidade financeira”.
Em terceiro lugar, “os participantes do mercado privado têm crescentes vínculos de financiamento e parcerias com bancos e seguradoras, fornecendo potenciais canais de transmissão para o sistema financeiro em geral. Para os bancos, os riscos podem surgir de exposições de empréstimos diretos ou comuns dentro desses mercados”.
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