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A fraude financeira não tira férias no verão
Supervisor espanhol lança conselhos para evitar que os aforradores sejam enganados durante o período de férias
14 Jul 2026 - 14:56
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Nas férias de verão passamos mais tempo no mundo digital/Foto: Magnific
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Nas férias de verão passamos mais tempo no mundo digital/Foto: Magnific
Com o título “Mais tempo de lazer, mais oportunidades para a fraude”, a Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV), o supervisor espanhol dos mercados de capitais, divulgou nesta terça-feira um conjunto de recomendações para evitar que os aforradores sejam vítimas de esquemas fraudulentos durante as férias de verão.
“Durante as férias aumenta o tempo de lazer e também o tempo que dedicamos à navegação na internet e nas redes sociais. Como consequência, ficamos mais expostos às tentativas de captação de novas vítimas por parte de burlões e de esquemas financeiros fraudulentos”, refere a CNMV.
Segundo o supervisor espanhol, “durante o verão, com o aumento do tempo disponível para lazer, cresce também a afluência de turistas às zonas costeiras. Neste período, existe um risco acrescido de ser contactado ou de entrar em contacto com um esquema financeiro fraudulento”.
“As chamadas telefónicas e os e-mails são frequentemente seguidos de contactos cada vez mais agressivos para captar potenciais vítimas. Grandes hotéis e centros de convívio social são locais onde estas entidades podem desenvolver a sua atividade”, acrescenta a CNMV.
O modus operandi é quase sempre o mesmo. Numa primeira fase, os burlões telefonam ou contactam potenciais clientes para avaliar o seu interesse, apresentando-se como entidades autorizadas. Posteriormente, efetuam um segundo contacto para propor produtos financeiros e oportunidades de investimento concretas. Depois de conquistarem a confiança da vítima através de técnicas agressivas de venda, procuram concretizar a operação.
Embora seja uma estratégia cada vez menos utilizada, estas entidades podem também organizar reuniões “sem compromisso” ou sessões informativas em hotéis frequentados por potenciais investidores.
Em muitos casos, procuram ganhar a confiança das vítimas comunicando no seu idioma — inglês, francês, alemão ou russo — e recorrendo a páginas de internet visualmente apelativas e repletas de informação, nas quais exibem alegadas parcerias com empresas cotadas em bolsa.
A CNMV alerta ainda para o perigo da partilha de dados pessoais. “Os intermediários de dados, conhecidos como data brokers, são empresas ou páginas de internet que recolhem informações pessoais dos utilizadores através de formulários, testes de perfil de investidor, passatempos ou conteúdos gratuitos, como guias, simuladores de rentabilidade ou webinars”, refere a entidade.
Os burlões chegam também a potenciais investidores através das redes sociais ou de notícias falsas, muitas vezes produzidas com recurso à inteligência artificial e a técnicas de deepfake.
Posteriormente, essa informação é cedida ou vendida a terceiros, entre os quais podem estar operadores de esquemas financeiros fraudulentos.
“O principal risco destas páginas reside no facto de, apesar de prometerem inicialmente um relatório gratuito ou acesso a conteúdos exclusivos, o verdadeiro objetivo ser alimentar bases de dados posteriormente exploradas para fins comerciais agressivos ou mesmo fraudulentos”, alerta o regulador espanhol.
“Durante as férias de verão, aumenta o tempo passado na internet e nas redes sociais, pelo que é essencial redobrar os cuidados”, sublinha a CNMV, acrescentando que “tendemos a prestar menos atenção à origem real das páginas que solicitam dados pessoais. Este contexto de maior exposição e menor vigilância é aproveitado por estas plataformas para recolher o maior número possível de contactos”.
Após o preenchimento de um destes formulários, é comum começar a receber, poucos dias depois, chamadas insistentes de números desconhecidos ou aparentemente internacionais, acompanhadas de propostas de investimento com rentabilidades muito superiores às praticadas no mercado tradicional.
A este primeiro contacto telefónico junta-se, cada vez mais frequentemente, o convite para integrar grupos no WhatsApp ou no Telegram, onde alegados “especialistas” partilham capturas de ecrã de ganhos financeiros, criando uma sensação de comunidade e urgência que reduz a desconfiança natural dos investidores.
O maior risco é que estes grupos encaminhem posteriormente os investidores para plataformas fraudulentas — páginas de internet ou aplicações móveis — onde são incentivados a investir com base em alegados sinais de trading ou recomendações de investimento, acabando muitas vezes por perder a totalidade do capital aplicado.
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