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Jovens portugueses procuram cada vez mais uma segunda fonte de rendimento

Estudo do Observador Cetelem mostra que, para metade dos inquiridos, os encargos com a habitação representam até 30% do rendimento mensal

14 Jul 2026 - 17:24

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Segundo o Observador Cetelem o rendimento médio mensal dos jovens inquiridos é de 1489 euros/Foto Magnific

Segundo o Observador Cetelem o rendimento médio mensal dos jovens inquiridos é de 1489 euros/Foto Magnific

Os jovens portugueses procuram cada vez mais fontes de rendimento adicionais. Atualmente, 74% já têm ou ponderam ter uma segunda fonte de rendimento, através de um segundo emprego ou de um projeto paralelo. Esta é uma das principais conclusões do mais recente estudo do Observador Cetelem, centro de estudos sobre consumo do BNP Paribas Personal Finance, dedicado ao tema do “Consumo Jovem” e divulgado esta terça-feira.

O estudo revela que 40% dos portugueses entre os 18 e os 35 anos já conciliam a sua atividade principal com um rendimento extra, enquanto 34% admitem fazê-lo no futuro.

Segundo o estudo, “o rendimento médio mensal dos jovens inquiridos é de 1.489 euros, um valor que consideram insuficiente, com 41% a fazer uma avaliação negativa do seu poder de compra e 33% a afirmar precisar de apoio financeiro para manter o atual estilo de vida”. Neste contexto, metade dos jovens prevê reduzir o consumo, sendo que um terço pretende adiar compras não essenciais e 26% procurar alternativas mais económicas.

Mais de metade dos jovens (55%) tem projetos que gostaria de concretizar, mas para os quais não dispõe de orçamento suficiente. Esses projetos passam, sobretudo, por viajar (47%), comprar casa (30%) e realizar obras ou renovações (25%). Para os concretizar, 38% admitem recorrer ao apoio financeiro de familiares e 49% consideram contratar crédito junto de um banco ou de outra instituição financeira.

A habitação continua a representar uma das maiores parcelas do orçamento. Atualmente, 37% dos jovens vivem em casa própria — dos quais 23% têm crédito à habitação —, 26% vivem em casa arrendada e 30% permanecem em casa de familiares. Para metade dos inquiridos, os encargos com a habitação representam até 30% do rendimento mensal, enquanto cerca de um terço destina entre 31% e 50% dos seus rendimentos ao pagamento da prestação da casa ou da renda.

A estes custos somam-se outras despesas fixas, como água, eletricidade, gás ou supermercado, que absorvem outros 30% do orçamento de metade dos jovens inquiridos.

O consumo dos jovens concentra-se sobretudo na saúde (35%), na restauração (34%) e no vestuário (30%), padrões semelhantes aos observados nas restantes faixas etárias. Ainda assim, esta geração atribui maior prioridade ao bem-estar, destacando-se as viagens (23%), as subscrições digitais (21%) e o desporto (20%).

O estudo mostra também que 65% dos jovens tendem a gastar mais do que o planeado em atividades de lazer. Entre os principais fatores que influenciam as decisões de consumo destacam-se as promoções (53%), as recomendações de familiares e amigos (39%) e as redes sociais (25%). No total, 89% reconhecem ser influenciados por um ou mais destes fatores.

As limitações orçamentais estendem-se igualmente à mobilidade. Embora 70% dos jovens possuam automóvel, 73% destes afirmam ter ajustado os seus hábitos devido ao aumento dos preços dos combustíveis. As principais alterações passam pela redução das deslocações (52%) e por uma maior utilização dos transportes públicos (17%).

A pensar no longo prazo, 67% ponderam adquirir um veículo elétrico, sendo o preço de aquisição (42%) e o custo dos combustíveis (35%) os principais fatores que poderão influenciar essa decisão.

Apesar deste contexto, os jovens demonstram capacidade para fazer face ao atual cenário económico. Cerca de 78% afirmam conseguir poupar, destinando, em média, 15% do rendimento mensal à poupança. Os principais objetivos passam por preparar a reforma (24%), constituir um fundo de emergência (23%) e comprar casa (13%).

Entre os 70% dos jovens que detêm produtos financeiros, os depósitos (40%) continuam a ser a opção mais comum. No entanto, os ETF (23%) e as criptomoedas (18%) ganham terreno. Já entre os maiores de 35 anos, o investimento continua a privilegiar os depósitos tradicionais (44%), os Planos Poupança Reforma (29%) e os Certificados de Aforro (25%).

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