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ActivTrades Europe com balanço “muito positivo” desde mudança para Portugal
O CEO da ActivTrades Europe, Ricardo Evangelista, rejeita a ideia de que Portugal tem processos lentos, afirmando que isso acontece por todo o lado, segundo a sua experiência.
29 Jun 2026 - 10:13
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A ActivTrades Europe faz um balanço “muito positivo” da transferência da sua sede europeia do Luxemburgo para Lisboa, em 2023, admitindo ainda a oferta de novos produtos no futuro. Em entrevista à Lusa, o presidente executivo da ActivTrades Europe, Ricardo Evangelista, fez um balanço “muito, muito, muito positivo” da transferência da sede e elogiou o trabalho do regulador português.
“Tenho experiência com a FCA, em Inglaterra, e tenho experiência com a CSSF, no Luxemburgo, e posso dizer que a CMVM [Comissão do Mercado de Valores Mobiliários] não lhes deve nada em termos de eficiência e na facilidade de processos”, afirmou. “Mantemos aqui as funções reguladas, mas o ‘oversight’ da operação está todo em Lisboa. Reportamos toda a atividade em Lisboa, pagamos os nossos impostos em Portugal, mas depois temos as nossas sucursais, onde temos outras funções”, disse apontando que há alguns mitos à volta da celeridade processual em Portugal.
“Desde que viemos para Portugal, a pergunta que me fazem sempre é: ‘então mas por que é que vieram para Portugal? Que esquisito’, mas acho que isso é um problema mais de autoestima de alguns portugueses”, afirmou. Na sua opinião, Portugal é um país que além de estar inserido num contexto europeu, tem estabilidade política e social e onde os custos fixos “ainda assim continuam a ser mais baixos”.
“É um país onde há talento, onde há formação, com um sistema jurídico maduro – que algumas pessoas dizem que demora tempo, mas eu acho que é assim um bocado por todo o lado –, portanto, tendo passado bastante tempo fora e utilizando essa perspetiva, eu penso que Portugal é um destino pelo menos tão atraente como qualquer outro”, defendeu o gestor.
Ricardo Evangelista explicou que a empresa funciona, enquanto intermediário financeiro, na oferta de contratos por diferença, também conhecidos como CFD. “É um derivativo financeiro que permite aos nossos clientes especular sobre a performance de ativos como, por exemplo, moedas, ações, índices, matérias-primas, ETF, criptoativos, etc”, explicou.
Ricardo Evangelista apontou que há muitos produtos que ganharam muita projeção na última década, como as criptomoedas. Analisando o desempenho dos CFD, o gestor diz não saber qual a evolução global deste tipo de produto, mas garante que o volume de negócios da sua empresa “tem crescido bastante”. Segundo o Relatório e Contas de 2025, a empresa contava com 18 493 clientes no final do exercício, num aumento de 44,4% em termos homólogos. Face a 2023, o número mais que duplicou.
Já os depósitos líquidos mais do que triplicaram de 4,4 milhões de euros, em 2024, para 15,1 milhões de euros no ano passado. Por sua vez, o resultado líquido avançou 36,6% e atingiu os 2,05 milhões de euros.
Para o presidente executivo, a dinâmica de crescimento reflete-se em várias métricas, incluindo no número de trabalhadores. A ActivTrades Europe divide-se atualmente por três geografias: Lisboa, responsável pelo acompanhamento e gestão da atividade da empresa, com 15 pessoas, uma sucursal em Milão, Itália, onde estão outras seis pessoas, e uma outra sucursal em Sófia, Bulgária, onde estão 40 pessoas dedicadas ao serviço de apoio ao cliente e da área comercial.
Para o futuro, os objetivos estão traçados: continuar a aumentar o número de clientes, que, por sua vez, “se vai refletir em mais transações, aumento do volume de vendas brutas e aumento das vendas líquidas”.
Quanto aos riscos identificados, Ricardo Evangelista registou que existem sempre os riscos dos mercados, que “têm estado muito voláteis”, bem como o risco regulatório. Além destes, identificou os riscos dos fornecedores de liquidez, as mudanças de mercado, da evolução tecnológica.
A ActivTrades Europe, registada como ActivMarkets – Empresa de Investimento, SA junto da CMVM, funciona como braço da ActivTrades para o espaço económico europeu, uma vez que algumas das atividades da ‘empresa mãe’ não estão licenciadas para esta zona. Para este ano, ActivTrades Europe prevê ainda lançar a negociação de ações e ‘social trading’, em que os clientes vão poder registar-se e seguir outros negociadores.
Por agora, “está a correr bem”. “Há sempre desafios, há sempre ventos contrários que surgem, mas, em geral, está a correr muito bem”, disse Ricardo Evangelista, antes de bater na madeira.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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