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Álvaro Santos Pereira e Joachim Nagel defendem “prudência” do BCE quanto à evolução das taxas de juro

O governador do Banco de Portugal e o do Banco Central Alemão falaram à CNBC, à margem das reuniões do Fundo Monetário Internacional, em Washington.

16 Abr 2026 - 16:02

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Audição 17/9 parlamento, Álvaro Santo Pereira

Audição 17/9 parlamento, Álvaro Santo Pereira

“Prudência” é a palavra de ordem dos governadores dos bancos centrais da zona euro quanto ao que o Banco Central Europeu (BCE) deverá fazer relativamente à evolução das taxas de juro nas reuniões dos próximos dias 29 e 30 de abril.

O governador do Banco de Portugal deu uma entrevista nesta quinta-feira à cadeia televisiva norte-americana CNBC, na qual defendeu: “O mais importante é prestar muita atenção aos dados e estar pronto a agir quando necessário”, afirmou Álvaro Santos Pereira, acrescentando: “Neste momento, há ainda muita incerteza, incluindo sobre os efeitos de segunda ordem. Por isso, manter a cabeça fria é importante, mas também estar preparado para agir quando necessário.”

Na mesma linha se pronunciou o governador do Bundesbank (Banco Central Alemão), defendendo que a volatilidade do preço do petróleo colocou o BCE “entre o cenário base e o cenário adverso”.

“Toda a situação é muito opaca, muito nebulosa, e dentro de duas semanas teremos de decidir o que faremos a seguir”, afirmou Joachim Nagel, acrescentando que os “dados estão a chegar diariamente sob a forma de notícias”.

As dúvidas em torno da reabertura do Estreito de Ormuz estão no centro da incerteza, observou Nagel, classificando essa via navegável crucial como “o calcanhar de Aquiles do sistema económico mundial”.

“Se houver mais incertezas no horizonte, isso também influenciará a decisão que teremos de tomar quando nos reunirmos daqui a duas semanas”, disse. “Uma abordagem reunião a reunião é a forma correta de proceder, e foi assim que fizemos no passado. E é ainda mais importante num momento tão complexo.”

Nagel referiu que os responsáveis pela política monetária ainda estão a avaliar a trajetória das taxas de juro.

“É crucial esperar até termos toda a informação disponível no momento em que precisamos de tomar a decisão”, disse. “Por isso, essa abordagem reunião a reunião é a melhor forma de conduzir a política monetária.”

Nagel afirmou que a inflação deverá situar-se em torno da meta de 2% do banco central (tendo atingido 2,6% em março), mas alertou que a incerteza persistente poderá obrigar o BCE a reagir, caso os preços subam mais do que o esperado.

“Temos de manter todas as opções em aberto – a política monetária não deve excluir nada”, disse, apontando novamente para o Estreito de Ormuz como um fator-chave na tomada de decisões.

“Precisamos de estar vigilantes… Em termos de política monetária, ainda precisamos de observar o que acontecerá nas próximas duas semanas. Em duas semanas, podem surgir muitas novidades. Estou a ser muito cauteloso ao dar uma indicação precisa sobre qual será o próximo passo em matéria de política monetária”, afirmou.

Martins Kazaks, governador do banco central da Letónia, que integra o Conselho de Governadores do BCE, também disse à CNBC que os membros do comité estão a adotar uma abordagem de decisão caso a caso. Questionado sobre se abril seria demasiado cedo para aumentar as taxas de juro, respondeu: “Veremos”.

“O que observamos, por exemplo, em termos da intensidade da reprecificação? Como é que isso se pode refletir noutros segmentos da economia?”, questionou, observando que a inflação subjacente não apresentou sinais de subida em março na zona euro.

Kazaks afirmou à CNBC que os choques económicos de 2020 e 2022 — quando a crise da Covid-19 e a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia abalaram a economia global — tornaram os banqueiros centrais mais vigilantes, uma vez que ninguém sabe exatamente como a guerra terminará.

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