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ATM e POS perdem cada vez mais terreno para moeda eletrónica em Moçambique
Moçambique registou 482 359 pontos de acesso a serviços financeiros, mais 36% do que em 2024, impulsionado quase exclusivamente pela expansão dos agentes não bancários ligados às Instituições de Moeda Eletrónica.
24 Jul 2026 - 11:09
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As caixas automáticas ATM e os terminais de pagamento POS continuaram a perder peso em Moçambique em 2025, enquanto os serviços de moeda eletrónica reforçaram a posição como principal motor da inclusão financeira, segundo dados do Banco de Moçambique. De acordo com o Relatório de Inclusão Financeira 2025, a que a Lusa teve acesso, o país registou 482 359 pontos de acesso a serviços financeiros, mais 36% do que em 2024, crescimento impulsionado quase exclusivamente pela expansão dos agentes não bancários ligados às Instituições de Moeda Eletrónica (IME).
No total, Moçambique contava no final de 2025 com 446 604 agentes não bancários, contra 315 005 um ano antes, um aumento de 41,8% que consolidou estes operadores IME – via telemóvel – como o principal canal de acesso a serviços financeiros no país.
Em sentido contrário, o número de caixas automáticas ATM desceu de 1 391 para 1 383, enquanto os terminais de pagamento POS recuaram de 35 486 para 32 236, uma redução de 9,2%.
“O ano de 2025 foi caracterizado pela manutenção da tendência positiva da inclusão financeira, impulsionada pela digitalização e maior expansão dos serviços das IME”, lê-se. Acrescenta que a expansão da rede de agentes de moeda eletrónica reflete uma transformação estrutural na forma como os moçambicanos acedem aos serviços financeiros, com os canais digitais móveis a substituírem gradualmente parte da infraestrutura bancária tradicional. O “sistema financeiro evolui gradualmente de infraestruturas físicas para soluções digitais móveis”, assinala.
O Banco de Moçambique explica que a redução dos POS resulta sobretudo da desativação de terminais inativos e do cancelamento daqueles considerados não rentáveis pelas instituições financeiras.
Ao mesmo tempo, a posse de contas de IME continuou a crescer a um ritmo muito superior ao da banca tradicional. Atingiu 1313 contas por mil adultos em 2025, mais 20% face às 1093 em 2024. Já as contas bancárias cresceram apenas 2%, passando de 330 para 337 por mil adultos.
O crescimento foi particularmente expressivo entre as mulheres, cuja posse de contas de moeda eletrónica aumentou 24%, de 924 para 1144 por mil adultos, contribuindo para reduzir parcialmente a disparidade de género no acesso aos serviços financeiros. Contudo, a desigualdade mantém-se no acesso ao crédito, com a participação das mulheres a aumentar de 31% para 34%, mas a dos homens de 59% para 66%, agravando a disparidade de género nesta área.
O relatório do banco central identifica ainda fortes diferenças regionais, mas destaca que a expansão dos agentes de moeda eletrónica permitiu ganhos de cobertura em províncias tradicionalmente menos servidas pelo sistema financeiro, incluindo Niassa, Cabo Delgado e Zambézia. Em Cabo Delgado, uma das províncias menos incluídas financeiramente do país, afetada desde 2017 por uma insurgência armada, o Índice de Inclusão Financeira (IIF) aumentou de 23,3 para 25,8 pontos e o número de contas IME subiu de 835 para 1081 por mil adultos.
Segundo o Banco de Moçambique, os agentes não bancários registaram crescimentos de 45,5% em Niassa, 45,2% em Cabo Delgado e 40,5% na Zambézia, evidenciando uma maior penetração dos serviços financeiros digitais em zonas onde a presença da banca convencional continua limitada.
Os dados indicam ainda uma mudança nos hábitos de utilização da moeda eletrónica. Em 2025, as transferências passaram a representar 48% das operações realizadas através destes serviços, contra 41% em 2024, enquanto os levantamentos e pagamentos perderam peso relativo. Apesar da forte expansão dos serviços digitais, o IIF nacional manteve-se inalterado em 36,4 pontos, refletindo um nível considerado moderado pelo banco central.
Em Moçambique funcionam 15 bancos comerciais e 12 microbancos, além de cooperativas de crédito e organizações de poupança e crédito, entre outras. Igualmente três carteiras móveis, de cada operador de rede móvel, com serviços como envio de dinheiro ou pagamento de contas prestados em qualquer rua.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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