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Bancos centrais acumularam, em média, mais de 1.000 toneladas de ouro nos últimos 4 anos
Banco de Portugal tem 382,7 toneladas e a última venda ocorreu há praticamente 20 anos. Instituições têm optado por guardar as reservas no próprio país
17 Jun 2026 - 07:30
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“Os bancos centrais acumularam, em média, 1.000 toneladas de ouro nos últimos quatro anos, um aumento significativo face à média de 500 toneladas registada na década anterior”, revela o relatório do Conselho Mundial do Ouro sobre o “Levantamento das Reservas de Ouro dos Bancos Centrais 2026”, divulgado nesta terça-feira.
A pesquisa do Conselho foi realizada entre 5 de fevereiro e 19 de maio, tendo a maioria das respostas sido recebida após o início do conflito no Médio Oriente. Participaram 76 bancos centrais, o que representa a maior participação desde o início desta pesquisa, há nove anos. “A amostra é altamente representativa da comunidade de bancos centrais em geral, tanto geograficamente como em termos de reservas de ouro. Esta participação expressiva é um forte sinal do compromisso com o ouro por parte da comunidade de bancos centrais”, refere o relatório.
Entre os principais destaques do estudo está o facto de os bancos centrais continuarem a ter expectativas favoráveis relativamente ao ouro, com a grande maioria dos entrevistados (89%) a acreditar que as reservas globais de ouro dos bancos centrais aumentarão nos próximos 12 meses.
“Este ano, um número recorde de 45% dos entrevistados espera que as suas próprias reservas de ouro também aumentem no mesmo período. A maioria dos restantes entrevistados indicou não esperar qualquer alteração, enquanto 1% espera que as reservas de ouro da sua instituição diminuam”, diz o relatório.
Embora o estudo não discrimine países, outros dados disponíveis no Conselho Mundial do Ouro, consultados pelo Jornal PT50, mostram que o Banco de Portugal mantinha, até março deste ano, 382,7 toneladas de ouro em reserva. A quantidade de ouro detida por Portugal permanece inalterada há praticamente 20 anos. A última venda de ouro, realizada ao abrigo dos acordos celebrados com o Fundo Monetário Internacional (FMI), ocorreu em setembro de 2006, tendo sido vendidas 19,9 toneladas.
“O desempenho do ouro em períodos de crise, a diversificação de portefólio e a proteção contra a inflação são alguns dos principais fatores que levam os bancos centrais a manter o metal nas suas reservas. Além disso, o ouro enquanto proteção contra riscos geopolíticos e como parte de uma política de diversificação de reservas também surge como uma razão importante para o aumento das alocações em ouro”, refere o Conselho Mundial do Ouro.
Segundo o relatório, a “maioria dos entrevistados (74%) prevê uma redução moderada ou significativa das reservas globais em dólares americanos nos próximos cinco anos. Os entrevistados acreditam também que a participação de outras moedas, como o euro e o renminbi (chinês), permanecerá inalterada durante o mesmo período, enquanto as reservas de ouro aumentarão”.
A pesquisa realizada este ano questionou os entrevistados sobre a forma como pretendiam financiar novas compras de ouro. “Metade dos entrevistados indicou que seria através de um programa de compra doméstica em moeda local, enquanto 38% referiram que seria através da venda de reservas existentes.”
O Banco de Inglaterra continua a ser o local de armazenamento mais popular entre os entrevistados, com 57%, embora os bancos centrais continuem a diversificar o armazenamento por vários locais. O armazenamento doméstico ficou em segundo lugar, com 49%, seguido pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS), com 16% (um ligeiro aumento face ao ano passado). O Banco Nacional Suíço registou um declínio notável na preferência, passando de 12% em 2025 para 6%.
Segundo o estudo, “observou-se um aumento notável nas alterações dos locais de armazenamento de valores mobiliários na pesquisa deste ano, com 9% dos entrevistados a afirmarem ter aumentado o armazenamento em território nacional e 10% a indicarem ter diversificado os locais de armazenamento no estrangeiro nos últimos 12 meses, em comparação com 5% e 2%, respetivamente, na pesquisa do ano passado. A tendência também se observa nos planos futuros de armazenamento de valores mobiliários, com 7% a afirmarem que vão aumentar o armazenamento em território nacional e 9% a indicarem que vão diversificar os locais de armazenamento no estrangeiro nos próximos 12 meses.”
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