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Menos crédito e preços a subir 3,5%

Primeiro retrato de 2026, recolhido pelo Banco Central Europeu, dá uma ideia de como o conflito no Médio Oriente está a ter impacto na economia.

27 Abr 2026 - 11:05

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Christine Lagarde, presidente do BCE em Davos: "a Europa precisa de unidade mais do que nunca!"/Foto: Fórum Económico Mundial

Christine Lagarde, presidente do BCE em Davos: "a Europa precisa de unidade mais do que nunca!"/Foto: Fórum Económico Mundial

São os primeiros indicadores que incorporam os efeitos do conflito no Médio Oriente na economia mundial. Em vésperas da reunião do Conselho de Governadores, que vai decidir sobre a evolução das principais taxas de juro, o Banco Central Europeu (BCE) divulgou nesta segunda-feira a “Pesquisa sobre o Acesso ao Financiamento das Empresas na Zona Euro – Primeiro Trimestre de 2026”.

Os resultados mostram uma restrição na concessão de crédito e uma expectativa de subida de preços, para os próximos 12 meses, da ordem dos 3,5%.

“Os resultados da pesquisa indicam que as condições de crédito bancário se tornaram mais restritivas, com mais empresas a relatar um aumento líquido nas taxas de juro cobradas em empréstimos bancários do que na última pesquisa. Um saldo líquido de 26% das empresas relatou um aumento nas taxas de juro bancárias, em comparação com 12% no trimestre anterior. No primeiro trimestre de 2026, tanto as grandes empresas como as pequenas e médias empresas (PME) indicaram um aperto líquido nas taxas de juro (um saldo líquido de 29% para grandes empresas, acima dos 12% do trimestre anterior; um saldo líquido de 24% para PME, acima dos 13%). Em termos líquidos, empresas de todas as dimensões também relataram um aperto adicional noutras condições de empréstimo, relacionadas com fatores de preço e não preço”, refere a pesquisa do BCE.

O documento refere também que “a guerra no Médio Oriente piorou as expectativas das empresas em relação à disponibilidade de empréstimos bancários e as suas perspectivas económicas para os próximos seis meses”.

Mas é em relação à evolução dos preços que os reflexos do conflito são mais evidentes. “As empresas esperam aumentos mais expressivos nos preços de venda e nos custos dos fatores de produção não relacionados com a mão de obra nos próximos 12 meses, enquanto as expectativas salariais apresentaram uma ligeira moderação”.

“Os preços de venda deverão subir 3,5% em média nos próximos 12 meses, acima dos 2,9% registados na pesquisa anterior, enquanto os custos dos fatores de produção não relacionados com a mão de obra, incluindo energia, deverão aumentar 5,8% (acima dos 3,6%). Em contrapartida, as expectativas salariais apresentaram uma ligeira moderação e deverão aumentar 2,8%, abaixo dos 3,1% do trimestre anterior”, refere o BCE.

Para a instituição liderada por Christine Lagarde, “considerando a dimensão das empresas, as PME continuaram a apresentar expectativas mais elevadas para preços de venda, salários e custos de fatores de produção não relacionados com a mão de obra do que as grandes empresas. Comparando os desenvolvimentos entre setores, as empresas da construção, comércio e serviços previram aumentos maiores nos preços de venda e nos custos de produção do que as empresas do setor industrial. O crescimento médio esperado do emprego permaneceu em 1%”.

A guerra no Médio Oriente aumentou significativamente as expectativas das empresas em relação aos preços de venda e aos custos de produção, mas não afetou as suas expectativas salariais. “Durante a fase inicial da recolha de dados para a pesquisa, tanto as expectativas de custos de produção como as de preços de venda permaneceram, em grande medida, consistentes com a recolha anterior, com as empresas a preverem aumentos moderados”, refere o BCE, acrescentando: “No entanto, as empresas entrevistadas posteriormente, no período de recolha de dados, relataram um aumento gradual tanto nas expectativas de custos como nas de preços. Em contrapartida, as expectativas de crescimento salarial e de emprego permaneceram amplamente estáveis ao longo do período da pesquisa”.

Já as expectativas medianas de inflação das empresas da zona euro aumentaram consideravelmente no horizonte de um ano e permaneceram estáveis nos horizontes de três e cinco anos. “As expectativas medianas de inflação para o próximo ano situaram-se em 3% (acima dos 2,6% anteriores), juntamente com um alargamento do intervalo interquartil, indicando uma maior dispersão nas perspectivas de curto prazo”, adianta o relatório.

As expectativas medianas de inflação para os próximos três e cinco anos permaneceram inalteradas em 3%, embora a distribuição das expectativas para o próximo ano se tenha alargado. Tanto as PME como as grandes empresas aumentaram as suas expectativas medianas de inflação para o próximo ano para 3% e 2,8%, respetivamente, em comparação com o intervalo de 2,9% a 2,4% na recolha anterior. Para os horizontes de três e cinco anos, as PME continuaram a apresentar expectativas de inflação mais elevadas do que as grandes empresas.

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