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Bancos transferem exposições a ‘data centers’ para outros agentes para diminuir risco de concentração

Bancos canalizam financiamento através de sindicatos bancários e recorrem cada vez mais a vendas de empréstimos e transações no mercado secundário para reduzir exposições.

27 Ago 2026 - 17:26

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Foto: Pixabay

Foto: Pixabay

As instituições bancárias têm vindo a financiar grandes operações relacionadas com ‘data centers’, com maior concentração na América do Norte. A Morningstar DBRS nota que, apesar do papel tradicional da banca no financiamento da inovação tecnológica, estes financiamentos trazem riscos associados, que os bancos já começam a tentar atenuar.

De acordo com a agência de ‘rating’, existe um risco de concentração, que é “uma das mais significativas considerações para o crédito para os bancos ativos neste setor”. De forma mais concreta, argumenta que “os projetos são tipicamente de grande dimensão e frequentemente dependentes de um número limitado de ‘hyperscalers’, fornecedores de Inteligência Artificial (IA) ou operadores especializados”.

Existem ainda outros riscos, como o próprio futuro da IA e a sua adoção. Estes investimentos assumem que a sua procura se vai manter. Paralelamente, os ‘data centers’ precisam de se manter relevantes. Se a tecnologia evoluir para um ponto em que estes se tornam obsoletos, o investimento encontra-se em perigo. Este último é um risco menor, segundo a DBRS.

Por fim, riscos associados à construção e operacionalização dos ‘data centers’ também são uma realidade. Atrasos e problemas na construção, bem como a flutuação dos preços energéticos podem afetar a rentabilidade e o desempenho dos projetos, aumentando o risco para os bancos.

Para contrariar os possíveis problemas futuros, as instituições de crédito tentam repartir o risco entre vários agentes. O financiamento através de sindicatos bancários não permite apenas canalizar grandes quantidades de capital, mas também garantir uma partilha do risco associado.

“Os bancos estão também a recorrer cada vez mais a transações de transferência significativa de risco, o que lhes permite transferir parte do risco de crédito para investidores externos, preservando simultaneamente as relações com os clientes e mantendo a capacidade de concessão de crédito”, acrescenta a agência.

Ao mesmo tempo, “os bancos recorrem cada vez mais à venda de empréstimos e a transações no mercado secundário para reduzir as exposições retidas, libertar capital e aumentar a flexibilidade do balanço. Consequentemente, os investidores institucionais, incluindo fundos de crédito privado, companhias de seguros e investidores em infraestruturas, estão a tornar-se fontes de financiamento cada vez mais importantes para projetos de infraestruturas digitais”, nota.

Os créditos associados a ‘data centers’ são também utilizados para comercializar títulos de dívida. “Os bancos podem converter posições relativamente ilíquidas em títulos negociáveis e alargar a base de investidores que sustenta o setor”, explica a DBRS. “Estas transações ilustram como os mercados de capitais estão a ser cada vez mais utilizados para reciclar capital e redistribuir o risco para além do sistema bancário”, destaca.

Novas vulnerabilidades podem surgir

Contudo, alerta a agência de notação financeira, “embora estes mecanismos melhorem a eficiência do capital e apoiem a expansão contínua das infraestruturas de IA, podem também criar novas vulnerabilidades”. “A forte procura por parte dos investidores poderá enfraquecer a prudência de subscrição, enquanto a migração das exposições dos bancos regulados para instituições financeiras não bancárias poderá reduzir a transparência e complicar a avaliação do risco sistémico”, avisa.

Neste sentido, “é provável que as entidades reguladoras se concentrem não só nas exposições diretas dos bancos, mas também nos canais através dos quais os riscos relacionados com as infraestruturas de IA são redistribuídos por todo o sistema financeiro”.

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