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Unanimidade “forçada” sobre manutenção dos juros na última reunião do Banco Central Europeu
Alguns governadores compararam a situação atual com a vivida durante a pandemia de Covid-19, no que diz respeito à prioridade de controlar a inflação
27 Ago 2026 - 15:45
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Reunião do Conselho de Governadores do BCE/Foto: BCE
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Reunião do Conselho de Governadores do BCE/Foto: BCE
Foram divulgadas nesta quinta-feira as atas da reunião de política monetária do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE), realizada em Frankfurt nos dias 22 e 23 de julho de 2026. Embora a decisão de manter as taxas de juro inalteradas nos 2,25% tenha sido tomada por unanimidade, o registo dessa reunião, na qual esteve presente o governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, e à qual também assistiu a vice-governadora Clara Raposo, mostra que o consenso foi “forçado”, uma vez que existiam vozes que defendiam uma nova subida das taxas de juro.
Isabel Schnabel, membro do Conselho Executivo do BCE, e Philip Lane, economista-chefe do banco central europeu, foram encarregues de contextualizar as opções de política monetária à luz de um cenário de elevada incerteza.
Aqueles responsáveis argumentaram que a “inflação de junho abaixo do esperado, a ligeira desaceleração da inflação subjacente em junho e o facto de a dinâmica salarial permanecer consistente com a meta de inflação” foram fatores que corroboraram a decisão de recomendar a manutenção das taxas de juro.
“Apesar dos riscos de alta para a inflação, a maioria das medidas de expectativas de inflação de longo prazo permaneceu bem ancorada em torno dos 2%, o que sustenta a estabilização da inflação em torno da meta no médio prazo. Além disso, houve poucos indícios de materialização de efeitos secundários”, referem as atas divulgadas nesta quinta-feira.
“Como a análise da equipa atribuiu o aumento da inflação até ao momento quase inteiramente à evolução da oferta de energia, com praticamente nenhuma contribuição da procura agregada ou da política orçamental, diferentemente do que ocorreu com o aumento da inflação em 2021-2022, argumentou-se que uma subida das taxas de juro não resolveria a causa subjacente da alta da inflação”, acrescentam aqueles documentos.
Mas as mesmas atas testemunham que foi feita “uma advertência contra a minimização do desafio inflacionário atual e dos custos para as famílias e empresas decorrentes de uma inflação acima da meta, comparando a situação atual com o aumento da inflação durante a pandemia”.
E existiram opiniões que defenderam que “o Conselho de Governadores deveria, em vez disso, reiterar o seu compromisso de trazer a inflação de volta à meta em tempo útil e agir em conformidade. Durante várias semanas, a situação foi, de facto, mais benigna do que em junho, com apenas o recente agravamento do conflito a trazer as perspetivas de volta, em linhas gerais, à projeção de junho. Nesse contexto, foi enfatizado que o aumento da taxa de juro em junho melhorou a posição do Conselho de Governadores, sublinhando a sua prontidão para agir”.
“Alguns membros observaram que, como os dados recebidos desde a reunião do Conselho de Governadores de junho reforçaram a necessidade de um maior aperto da política monetária, não se oporiam a uma subida das taxas na reunião atual”, refere o documento do BCE.
Esses membros enfatizaram a baixa probabilidade de uma situação em que “uma nova subida da taxa de juro não se justificasse”. Referiram-se à análise realizada em junho, que demonstrou a necessidade de novas subidas em todos os cenários previstos nas projeções de junho, inclusive no cenário mais favorável.
“O valor da opção de esperar era, portanto, pequeno. Uma resolução duradoura do conflito no Médio Oriente e, consequentemente, um cenário benigno, tornou-se menos provável devido a divergências fundamentais sobre o programa nuclear iraniano e o controlo do Estreito de Ormuz”, defenderam aqueles membros do BCE.
Os mesmos responsáveis defenderam que “um conflito prolongado amplificaria a transmissão dos custos mais elevados e fortaleceria os efeitos indiretos, aumentando o impacto inflacionário”.
Foi enfatizado que, mesmo durante o cessar-fogo, os preços futuros do petróleo permaneceram elevados no médio prazo, enquanto os preços do gás e os spreads dos produtos refinados subiram ainda mais, com o cessar-fogo a proporcionar apenas um alívio limitado. Também foi expressa a opinião de que uma procura agregada mais resiliente do que o esperado permitiu às empresas repercutir parte dos custos mais elevados, incluindo as refinarias, cujo poder de fixação de preços dependia de uma procura robusta.
Estes membros do BCE “enfatizaram mais os riscos de alta para as perspetivas de inflação”. Segundo eles, “uma resposta tardia da política monetária poderia atrasar o regresso da inflação aos 2%, afetar as expectativas de inflação de forma mais duradoura e exigir um aperto ainda maior posteriormente, prejudicando tanto as famílias como as empresas. Embora os efeitos de segunda ordem ainda não tivessem surgido, a política monetária precisava de agir antes que eles aparecessem, para não correr o risco de ficar para trás”.
Segundo eles, era preciso que as taxas entrassem “num território ligeiramente restritivo, visto que as taxas de juro atuais não são consideradas um fator de contenção para a economia, o que foi corroborado pela aceleração adicional do crescimento dos empréstimos a empresas e famílias”.
“Apesar dessas preocupações, todos os membros estavam dispostos a apoiar a decisão de manter as taxas de juro inalteradas, desde que a comunicação enfatizasse o firme compromisso do Conselho de Governadores em definir a política monetária de forma a garantir que a inflação se estabilizasse na meta de 2% no médio prazo”, refere a ata do BCE.
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