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BCE assina acordos para explorar três soluções na implementação do euro digital

O BCE celebrou acordos com a European Card Payment Cooperation, que inclui a SIBS, a Nexo Standards e o Berlin Group, no âmbito do euro digital.

24 Abr 2026 - 14:52

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Foto: Freepik

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O Banco Central Europeu (BCE) anunciou nesta sexta-feira a assinatura de acordos com três organizações europeias de desenvolvimento de ‘standards’, incluindo uma cooperativa que integra a SIBS MB, para a implementação do euro digital. Abrangidos por estes acordos estão os ‘standards’ da European Card Payment Cooperation (ECPC), que inclui a SIBS MB, da Nexo Standards e do Berlin Group.

O anúncio foi feito em comunicado publicado pelo BCE, que considerou que a utilização destas soluções “vai simplificar a aceitação do euro digital e uniformizar a experiência de utilização na zona euro”. Citado no comunicado, o membro do comité executivo do BCE Piero Cipollone registou que esta parceria demonstra “o forte compromisso para assegurar que o euro digital funciona com os ‘standards’ europeus que o setor privado também pode usar”.

Em declarações à Lusa, a presidente executiva da ECPC, a portuguesa Ana Grade, considerou que estas assinaturas são “o reconhecimento” de mecanismos que já estavam implantados de forma significativa em terminais europeus. “A utilização no projeto do euro digital vai contribuir para um alargamento ainda maior da pegada dos ‘standards’ a nível dos pontos de aceitação de pagamentos”, registou a responsável, por telefone.

No entender de Ana Grade, a escolha do BCE por estas três soluções europeias e utilizadas por empresas privadas demonstra que o banco central vê o euro digital “como uma complementaridade das soluções de pagamento que já existem” e que vai permitir fazer pagamentos que não dependam de outras marcas internacionais.

A solução CPACE, da ECPC, “trata do diálogo entre quem paga e quem recebe”, a da Nexo Standards vai “tratar da parte do ponto de aceitação e, portanto, tem a ver com o local de aceitação e com conversa desse local com a entidade que instalou esse terminal ou essa solução de aceitação de pagamentos”, enquanto a do Berlin Group vai realizar um diálogo entre a aceitação e a emissão. “São mesmo ‘standards’ complementares na cadeia de pagamentos”, explicou Ana Grade.

A responsável da ECPC recordou que a solução da cooperativa, que reúne tecnologias de Portugal, Espanha, França, Bélgica, Alemanha e Bulgária, aquando da sua criação, em 2020 foi ter uma alternativa a empresas como Visa ou Mastercard. “No caso específico do diálogo entre o meio de pagamento e o ponto de aceitação, para realizar pagamentos ‘contactless’, essa tecnologia que se usava era tipicamente da Visa ou da Mastercard. Faziam questão de, se marcas domésticas ou regionais – como MB – quisessem usar a tecnologia, teriam de pagar”, explicou, acrescentando que continuar nesse caminho, além de dispendioso, seria entrar “numa dependência que não é saudável”.

Ana Grade, que deixou a administração da SIBS MB, mas onde continua como ‘senior advisor’, sublinhou que estas soluções da ECPC não têm custos a nível de emissor ou a nível de aceitação. O que há, são “tarifas que são aplicadas aos vendedores de terminais e aos vendedores de cartões”. “Se quiserem ter instrumentos para fazer pagamentos ou para aceitar pagamentos que têm uma abrangência mais alargada e, com isso, aumentar as suas vendas, isso tem um custo, mas que é baixo e que, portanto, compensa”, defendeu, apontando que são essas as receitas que financiam a atividade do ECPC.

Citado no comunicado do BCE, o presidente do Conselho de Administração da Nexo Standards, Jean-Philippe Joliveau, disse estar orgulhoso da colaboração com o BCE. Já o diretor Markus Schierack, do SRC Security Research and Consulting – que atua como coordenadora do Berlin Group – saudou a opção do BCE e defendeu que os ‘standards’ abertos “são as bases de um mercado de pagamentos europeu competitivo e interoperacional”.

Em março, o BCE lançou uma convocatória para os prestadores de serviços de pagamento interessados em participar no teste-piloto para o euro digital que deverá avançar no segundo semestre de 2027. No mesmo mês, o vice-presidente cessante Luis de Guindos, que será substituído pelo croata Boris Vujcic em junho, estimou que o euro digital esteja disponível para o setor institucional e para o público em 2029.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT50

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