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Recredit recuperou 48% do que investiu a adquirir carteiras de crédito malparado do BPC
A Recredit, empresa pública angolana, recuperou 130,1 milhões de euros até 2025. A instituição registou um resultado positivo de 49,8 milhões de euros.
24 Abr 2026 - 16:11
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A Recredit, empresa pública angolana, recuperou 139,13 mil milhões de kwanzas (130,1 milhões de euros) até 2025, representando 48% do investido na aquisição de duas carteiras de crédito malparado do Banco de Poupança e Crédito (BPC), anunciou nesta sexta-feira a instituição. Na apresentação dos resultados de 2025, a presidente do conselho de administração da Recredit – Gestão de Ativos, Mirian Ferreira, destacou que, no ano passado, o objetivo de recuperação traçado atingiu os 103%.
“Nós estamos satisfeitos com a recuperação do ano de 2025. Tínhamos uma meta de 30 mil milhões de kwanzas (pouco mais de 28 milhões de euros), [e] conseguimos 30,7 mil milhões de kwanzas (28,7 milhões de euros), isso nos satisfaz”, disse Mirian Ferreira.
Contudo, a recuperação acumulada de 48% ainda é insatisfatória, disse a presidente da Recredit, apontando a morosidade processual dos tribunais como principal desafio para o alcance dos restantes 52%.
Mirian Ferreira frisou que a Recredit adquiriu duas carteiras de crédito ao BPC, banco público com problemas de incumprimento de créditos.
Segundo a fonte, 48% não cobre o global do investimento de 288,87 mil milhões de kwanzas (270,2 milhões de euros) na aquisição das duas carteiras, sendo “a morosidade nos tribunais e a qualidade dos processos”, os principais constrangimentos. A 31 de dezembro de 2025, encontravam-se a tramitar em tribunal processos de crédito no valor de 422,2 mil milhões de kwanzas (395 milhões de euros). Em declarações à imprensa, a presidente da Recredit frisou que os processos em tribunal “constituem um ‘handicap’” que condicionam o alcance de melhores resultados de recuperação, considerando que “resolvidos estes processos, as taxas de recuperação de crédito (…) seriam objetivamente maiores, mais do que 150%, quiçá da carteira adquirida ao BPC”.
A Recredit registou, em 2025, resultados líquidos de 53,3 mil milhões de kwanzas (49,8 milhões de euros), representando um aumento de 10% comparativamente a 2024.
A presidente da Recredit vincou que o papel da empresa pública “é maior do que recuperar créditos malparados”, contribuindo também para a sustentabilidade do sistema financeiro angolano. “Ao adquirir os créditos improdutivos dos bancos faz saneamento das contas dos bancos tornando-as mais saudáveis, fazendo que as mesmas libertem capitais e liquidez para que se concentrem na sua atividade principal, que é a concessão de crédito à economia real, tendo um impacto direto nas famílias, na atividade económica e social do país”, disse.
Os valores recuperados retornam ao acionista Estado, prosseguiu Mirian Ferreira, acrescentando que para este ano a perspetiva é de alargamento do negócio, nomeadamente a aquisição de novas carteiras de crédito. “O nosso escopo social neste momento está restrito à banca pública, mas também a banca pública ainda detém nos seus balanços algum crédito improdutivo que precisa de ser tratado e por uma empresa especialista, capacitada, responsável e que atua de forma transparente assim como a Recredit”, disse, salientando que a empresa está aberta a prestar esse serviço à banca privada, contudo, não tem havido “tanta apetência do setor privado para prestação de serviços de recuperação de crédito”.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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