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BIS volta a apontar perigos das ‘stablecoins’ e potenciais “desafios à estabilidade financeira”
O BIS considera que “os modelos atuais de ‘stablecoins’ ficam aquém no que diz respeito às propriedades essenciais que garantem a confiança no dinheiro”.
24 Jun 2026 - 07:22
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Pablo Hernández de Cos | Foto: BIS
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Pablo Hernández de Cos | Foto: BIS
O Banco de Pagamentos Internacionais (BIS) voltou, nesta terça-feira, a alertar para os perigos que vêm com a adoção de ‘stablecoins’. “Embora o seu impacto global no crescimento económico possa ser modesto, uma adoção mais generalizada das ‘stablecoins’ poderá dar origem a mudanças significativas no financiamento bancário e na concessão de crédito e, potencialmente, colocar desafios à estabilidade financeira”, apontou a instituição.
Segundo o BIS, os efeitos “dependem da composição das reservas de ‘stablecoins’, como estas são utilizadas e reguladas, e também como outras partes do sistema reagem”. Mais ainda, a instituição salienta, em comunicado, que “alta procura global por ‘stablecoins’, que hoje são maioritariamente indexadas ao dólar americano, pode tornar fluxos de capital mais voláteis e desafiar a soberania monetária de economias com bases relativamente mais fracas”.
As críticas do BIS surgem na sequência de um relatório publicado sobre o assunto. Neste conclui-se que “os modelos atuais de ‘stablecoins’ ficam aquém no que diz respeito às propriedades essenciais que garantem a confiança no dinheiro”.
Entre os riscos elencados pelo BIS estão “a circulação em ‘blockchains’ públicas e sem autorização, bem como as características do seu design, [que] colocam desafios em termos de resiliência face à criminalidade financeira e de resgatabilidade e interoperabilidade entre registos”. A instituição acrescenta que, “a curto prazo, é fundamental resolver as fragilidades da atual arquitetura das ‘stablecoins’”.
“As medidas regulatórias adequadas dependem do facto de as ‘stablecoins’ serem utilizadas para pagamentos em grande escala ou se o seu uso se limitar, na sua maioria, a investimentos”, acredita. O BIS reforça que “modernizar o sistema financeiro vai exigir esforços políticos coordenados a nível global”.
O diretor-geral do BIS, Pablo Hernández de Cos, apoia este apelo à coordenação e, neste sentido, salienta que “ao integrar inovações digitais, como a tokenização, na arquitetura financeira existente, as autoridades podem moldar o futuro do dinheiro, da economia e do sistema financeiro no interesse público, preservando simultaneamente a confiança”.
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