4 min leitura
CEO da CGD defende criação de um fundo de catástrofes
"É preciso disponibilizar complementarmente ao financiamento do próprio Estado, financiamento bancário para empresas viáveis e famílias que precisam de recuperar os estragos das suas habitações”, defendeu Paulo Macedo.
19 Mai 2026 - 17:41
4 min leitura
Paulo Macedo, presidente da Comissão Executiva CGD | Outlook Semestral CGD julho 2025
Mais recentes
- 58% das empresas portuguesas estão a adotar uma postura mais prudente em relação ao endividamento
- CEO da CGD defende criação de um fundo de catástrofes
- BPI mexe no Conselho de Administração após renúncia de Joana Oliveira Freitas
- Euronext reporta lucro de 216,1 milhões no primeiro trimestre
- Banco de Portugal conta com carteira de 1,14 mil milhões em obrigações verdes
- Société Générale multado em 20 milhões pelo regulador francês
Paulo Macedo, presidente da Comissão Executiva CGD | Outlook Semestral CGD julho 2025
O líder da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, disse nesta terça-feira ser “fundamental” criar um fundo de catástrofes e aumentar o número dos seguros obrigatórios para prevenir na atuação em situações de calamidade. “É fundamental que se constitua, como já foi referido várias vezes, um fundo de catástrofes que implique a participação de um vasto conjunto de entidades e é, desde logo, necessário aumentar o número dos seguros obrigatórios, cuidando de subsidiar quem não os puder suportar”, referiu.
Paulo Macedo falava numa mensagem de vídeo na abertura da conferência “Entre a Ruína e a Reconstrução: Direito, Sociedade e Esperança após a Calamidade”, em Coimbra, no âmbito do Ciclo “O Mundo que Temos. O Mundo que Queremos”, promovido pela CDG, com a coordenação científica de Eduardo Paz Ferreira, e que contou com especialistas e académicos de diversas áreas.
Para o presidente da CGD, deve-se ter “mais seguros obrigatórios” para que, em situações de dificuldade, haja “melhores condições para dar resposta”. “Esperar que sejam outros a resolver os nossos problemas não é solução. É preciso disponibilizar complementarmente ao financiamento do próprio Estado, financiamento bancário para empresas viáveis e famílias que precisam de recuperar os estragos das suas habitações”, acrescentou.
Esta manhã, durante a sessão com o tema “Quando tudo falha: decisão, sociedade e limites”, o antigo ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, defendeu que “será muito mais sustentável” tentar uma solução de base natural para os problemas do que partir “direto para a solução” com uma atuação artificial. “Houve umas cheias, faça-se uma barragem. Erro. Não é mesmo assim que se deve raciocinar”, afirmou, salientando que as catástrofes existem, sempre existiram e “tudo concorre para que sejam cada vez mais frequentes”. Para João Pedro Matos Fernandes é preciso adaptação, no sentido de “viver com o que temos e tornar o território mais resiliente”.
“Temos que ser absolutamente intransigentes a não ocupar leitos de cheia, a perceber que não é com estruturas artificiais que vamos proteger o nosso próprio futuro e também em fazer perceber às pessoas que há uma certa dimensão que nunca se combate nem é suposto que se combata”, sustentou.
Na mesma sessão, o professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (UC) José Reis considerou que a questão central das calamidades dos últimos anos é como se vai “governar os recursos”, salientando ser notório que o modo como têm sido governados “criou problemas”.
Já para Pedro Costa Gonçalves, docente da Faculdade de Direito da UC, “o Direito tem muita dificuldade em lidar com as calamidades” e as situações de exceção “são um grande desafio”. Manifestou ainda preocupação com os “decisores angustiados”, afirmando que não ver “ninguém em paz com as suas decisões e com o seu processo de decidir”, algo que “exige uma reflexão”.
No encerramento da sessão, a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, afirmou que gerir uma calamidade “implica mil decisões” e que qualquer decisão “gera reações”, defendendo também ser preciso “um nível de governação intermédio entre as autarquias e o Governo com legitimidade para se tomarem decisões mais rápidas”.
A lei dos eleitos locais “está completamente ultrapassada” face às exigências e ao papel que os presidentes de câmara e de juntas de freguesia têm no território, sublinhou Ana Abrunhosa. “Estamos completamente desprotegidos. Isto é algo sobre o qual devemos pensar, porque a maior parte das pessoas vive nas cidades, a vida das pessoas depende da decisão dos autarcas”, acrescentou.
A autarca defendeu ainda que a cooperação institucional é essencial para garantir rapidez e eficiência na resposta às catástrofes e que a proteção civil é de 1 de janeiro a 31 de dezembro.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
Mais recentes
- 58% das empresas portuguesas estão a adotar uma postura mais prudente em relação ao endividamento
- CEO da CGD defende criação de um fundo de catástrofes
- BPI mexe no Conselho de Administração após renúncia de Joana Oliveira Freitas
- Euronext reporta lucro de 216,1 milhões no primeiro trimestre
- Banco de Portugal conta com carteira de 1,14 mil milhões em obrigações verdes
- Société Générale multado em 20 milhões pelo regulador francês