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Com subida de juros do BCE certa em setembro, investidores estão curiosos com o que vem depois
A subida dos juros hoje já está descontada pelos mercados. A questão que surge agora é se se trata da última neste ano.
10 Set 2026 - 07:22
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O Banco Central Europeu prepara-se para uma nova subida das taxas de juro de referência, esperadas pelos mercados há algum tempo. O supervisor não pode ignorar a inflação de 3,3% de agosto na Zona Euro, acima dos 2,9% do mês anterior e cada vez mais longe dos sacrossantos 2%.
Contudo, esta subida de 25 pontos base para 2,5% já não é novidade e, portanto, os mercados e os investidores já olham mais além. Aliás, os mercados já descontaram a subida de hoje, indicam vários analistas, que começam a alertar sobre um possível aumento em dezembro. Roman Ziruk, ‘lead FX strategist’ da Ebury, indica que os investidores vão agora procurar por sinais sobre o que vem a seguir.
“Acreditamos que é improvável que Lagarde se comprometa com uma tendência das taxas de juro, pois isto iria destoar do seu tom, dado que, em junho, afastou o rótulo de ‘subida de prevenção’ e, em julho, apontou, indiretamente, para um novo aumento em setembro, mantendo o seu mantra de dependência de dados”, explica.
Com a taxa neutral a atingir, possivelmente, os 2,5%, “manter as taxas estáveis é, por si só, uma forma de flexibilização”, nota Michael Krautzberger, diretor de Investimento Global de Mercados Públicos da Allianz Global Investors (GI). A Roman Ziruk vai ao encontro desta perspetiva, acrescentando que, com a taxa neutral em 2,5%, os requisitos para mais subidas ficam ainda mais elevados.
Assim, Krautzberger argumenta que “novas subidas podem exigir uma aceleração da inflação impulsionada pela procura, para que o BCE considere necessária uma política restritiva”. Política restritiva essa que Zurik entende que começa para lá dos 2,5% e que caracteriza como sendo excessiva.
O analista da Ebury considera que uma evolução das taxas acima de 2,5% pode acarretar riscos de crescimento e não se justifica dado que o problema inflacionário está do lado da oferta. Mais ainda, taxas mais elevadas agravariam a situação nos mercados obrigacionistas numa altura em que as finanças públicas já estão sob pressão.
Tanto a Ebury como a XTB consideram que os mercados já descontaram o segundo aumento e Zurik acrescenta ainda que os mercados têm em cima da mesa uma outra subida em março, mas, tal como referido, considera esta visão demasiado agressiva.
Zurik estima que setembro é o fim da linha para as subidas, mas avisa que esta situação depende do rumo da guerra no Irão e prevê que a presidente do BCE deixe a porta aberta a uma política monetária mais restritiva no futuro. Por sua vez, Krautzberger considera “provável” outro aumento de 25 pontos base em dezembro.
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