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Competitividade bancária e fragmentação dos mercados à mesa do jantar entre Lagarde e Maria Luís Albuquerque
Comissária dos Serviços Financeiros e presidente do BCE estarão juntas nesta terça-feira, antes da reunião do Comité de Governadores
28 Abr 2026 - 18:14
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Christine Lagarde, Presidente do BCE e Maria Luís Albuquerque, Comissária para os Serviços Financeiros/Foto: BCE
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Christine Lagarde, Presidente do BCE e Maria Luís Albuquerque, Comissária para os Serviços Financeiros/Foto: BCE
A Comissária Europeia dos Serviços Financeiros e a presidente do Banco Central Europeu (BCE) estarão juntas num jantar que se realiza nesta terça-feira, apurou o Jornal PT50. À mesa estarão, entre outros temas, a consulta pública sobre a competitividade dos bancos europeus — à qual o BCE respondeu — e a fragmentação dos mercados financeiros.
Christine Lagarde e Maria Luís Albuquerque trocarão impressões sobre o atual momento geopolítico e as suas consequências para a economia da zona euro antes da reunião do Conselho de Governadores que começa amanhã.
Uma das matérias que deverá merecer uma reflexão mais aprofundada entre as duas responsáveis prende-se com a consulta da Comissão Europeia sobre a competitividade bancária, cujos resultados deverão ser divulgados até ao final do primeiro semestre.
Segundo um texto publicado esta semana por Claudia Buch, presidente do Conselho de Supervisão do BCE, “qualquer avaliação de saúde começa com um diagnóstico preciso. No caso do setor bancário, a avaliação anual do BCE mostra que o setor está atualmente em boa forma. As reformas adotadas após a crise financeira global, incluindo uma supervisão reforçada, tornaram os bancos europeus mais bem capitalizados, mais líquidos e mais fiáveis para os mercados. Essa resiliência é essencial para que os bancos sirvam bem a economia. Bancos bem capitalizados podem apoiar o crédito e o crescimento sustentável, inclusive em períodos de crise”.
A responsável refere ainda que “um diagnóstico adequado precisa, portanto, de olhar além das condições atuais”, salientando que “é necessário adotar uma abordagem voltada para o futuro, avaliando a proteção dos depositantes, a estabilidade financeira e a capacidade dos bancos para apoiar a economia, adotando, assim, uma perspectiva social mais ampla. Os bancos são cruciais para a economia porque ajudam a moldar a forma como as decisões de poupança são tomadas, como o investimento é financiado e como os riscos são partilhados”.
Claudia Buch identificou ainda as áreas mais frágeis: “a Europa ainda carece de um mercado bancário verdadeiramente integrado. Cerca de 80% das carteiras de empréstimos dos bancos são investidas a nível nacional, enquanto apenas 2% dos depósitos são mantidos além-fronteiras. A atividade de fusões transfronteiriças tem sido moderada e a concentração tem aumentado em alguns mercados”.
“Esta fragmentação tem um custo elevado. A integração insuficiente pode impedir a partilha eficiente de riscos. Pode também limitar o investimento dos bancos em modelos de negócio digitais, onde a escala é muitas vezes necessária para que esses investimentos sejam rentáveis”, salienta a responsável.
Para o BCE, “a união bancária deve ser concluída. Um sistema europeu de seguro de depósitos proporcionará o mesmo nível de proteção a todos os depositantes abrangidos. Isso enfraquecerá a relação entre bancos e governos e poderá incentivar a atividade transfronteiriça. É essencial aprimorar ainda mais o quadro europeu de gestão de crises, para que os bancos inviáveis possam sair do mercado sem colocar em risco a estabilidade financeira”.
Além disso, para Claudia Buch, “os bancos precisam de uma forte resiliência financeira e operacional para lidar com um ambiente externo altamente incerto, resistir a choques adversos e proteger-se contra riscos cibernéticos. Tal como na política de saúde, a prevenção é fundamental. É a forma mais segura de reduzir as vulnerabilidades à propagação de riscos provenientes de setores menos regulamentados do sistema financeiro. E a prevenção compensa: reduz significativamente os custos de futuras crises financeiras em termos de perdas de produção, custos sociais e despesas fiscais”.
Por último, a reiterada questão da simplificação: “Regras complexas e relatórios duplicados consomem recursos que os bancos poderiam melhor aplicar na gestão de riscos e na melhoria dos serviços. Com isso em mente, temos uma agenda de reformas abrangente para tornar a supervisão europeia mais eficiente, eficaz e baseada no risco, reforçando ainda mais a proporcionalidade”, refere a presidente do Conselho de Supervisão do BCE.
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