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DBRS coloca bancos espanhóis entre os mais rentáveis da Europa em 2027

Agência de rating considera que, apesar dos dividendos «generosos» distribuídos, as instituições financeiras do país vizinho deverão manter níveis de capital sólidos, sustentados por uma forte geração orgânica de capital

04 Nov 2026 - 15:30

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«Os bancos espanhóis estão posicionados para se manterem entre os mais rentáveis da Europa em 2027, mas o setor enfrenta desafios que podem travar esse crescimento», refere a Morningstar DBRS, num comentário divulgado nesta quarta-feira.

Para aquela agência de rating, os principais receios concentram-se na incerteza política em torno das eleições gerais espanholas de novembro de 2026, que poderá afetar o setor bancário através de eventuais prorrogações ou aumentos do imposto sobre a banca, cuja vigência termina no final de 2026.

«Acreditamos que a margem financeira (NII) impulsionará o crescimento dos lucros em 2027, com uma melhoria moderada da margem financeira líquida (NIM), à medida que as taxas de juro elevadas se refletirem no ainda considerável stock de empréstimos a taxa variável indexados à Euribor, normalmente com um desfasamento de seis ou 12 meses», refere a agência.

Segundo a DBRS, «o crescimento global da margem financeira deverá ser mais moderado do que em 2022-2023, refletindo aumentos menos expressivos das taxas de juro e carteiras de cobertura e de gestão de ativos e passivos (ALCO) mais significativas, que reduzem a sensibilidade às taxas. É provável que os bancos espanhóis continuem a gerir ativamente os custos dos depósitos e a encaminhar os clientes que procuram rentabilidade para produtos extrapatrimoniais».

A agência de rating prevê «que o crescimento do crédito se mantenha sólido, embora abaixo do observado em 2026. Taxas de juro mais elevadas poderão arrefecer temporariamente a procura, com o inquérito do Banco de Espanha a sinalizar uma menor procura de crédito empresarial e à habitação no segundo trimestre de 2026. Contudo, aumentos das taxas mais graduais do que os registados em 2022-2023 deverão limitar o impacto, enquanto a procura estrutural de habitação, impulsionada pelo crescimento populacional, e os fundos remanescentes do programa NextGeneration EU deverão continuar a sustentar a concessão de crédito».

«É provável que os custos operacionais aumentem, refletindo a inflação mais elevada, a renegociação do acordo coletivo de trabalho do setor, que termina no final de 2026, e o investimento contínuo em tecnologia e inteligência artificial. Ainda assim, esperamos que os níveis de eficiência permaneçam elevados. O rácio de eficiência agregado da nossa amostra de bancos espanhóis foi de 38% nos primeiros nove meses de 2026, abaixo dos valores registados pelos seus congéneres da Alemanha, França, Itália e Países Baixos, de acordo com os dados da EBA», refere o comentário.

Também o custo do risco deverá manter-se controlado em 2027, «embora possa registar um aumento moderado após vários anos em níveis reduzidos. Taxas de juro mais elevadas poderão afetar os mutuários com crédito à habitação a taxa variável, mas prevemos que qualquer impacto se distribua ao longo do tempo, uma vez que, normalmente, são necessários cerca de 18 meses para que a subida das taxas afete a capacidade de pagamento dos mutuários».

Além disso, a DBRS prevê «que o mercado de trabalho se mantenha resiliente, com a taxa de desemprego projetada para permanecer abaixo dos 10% em 2027. Este fator, em conjunto com o peso crescente dos empréstimos a taxa fixa na nova produção de crédito e o baixo nível de endividamento do setor privado, deverá limitar o impacto de taxas de juro mais elevadas na capacidade de pagamento dos mutuários».

As famílias dispõem de menos apoio decorrente das poupanças acumuladas durante a pandemia e das medidas públicas do que em 2022-2023. Ao mesmo tempo, a inflação persistente, o crescimento mais lento do consumo e os elevados custos da energia representam riscos para as famílias e empresas com elevado consumo energético.

O stock de crédito não produtivo (NPL) dos bancos espanhóis diminuiu 1,2% no trimestre terminado em setembro de 2026, enquanto o rácio de NPL permaneceu nos 2%.

«Apesar da elevada distribuição de dividendos aos acionistas, esperamos que os bancos espanhóis mantenham níveis de capital sólidos, sustentados por uma forte geração orgânica de capital. O rácio CET1 médio situava-se nos 13% no final de setembro de 2026, com uma almofada média de 395 pontos base acima dos requisitos mínimos», refere a DBRS.

A agência considera igualmente gerível «o aumento da reserva contracíclica para as exposições em Espanha para 1%, a partir de outubro de 2026, bem como as potenciais perdas de valorização das carteiras de obrigações contabilizadas ao justo valor, decorrentes de taxas de juro soberanas mais elevadas. O financiamento e a liquidez deverão manter-se robustos, sustentados pelo crescimento constante dos depósitos ao longo de vários anos e por uma dependência moderada do financiamento no mercado interbancário».

«O principal risco para as nossas perspetivas relativamente aos bancos espanhóis é uma escalada das hostilidades no Médio Oriente, que provoque um aumento significativo dos preços da energia e da inflação, obrigando a um aperto monetário mais acentuado, com consequências negativas para o crescimento económico e para a capacidade de pagamento dos mutuários», alerta a DBRS.

A nível interno, a tributação do setor bancário continua a ser uma fonte de incerteza. O atual imposto sobre as receitas líquidas de juros e comissões dos bancos termina no final de 2026 e o seu futuro dependerá, em grande medida, do resultado das eleições. As pressões sobre as contas públicas poderão favorecer a sua prorrogação ou mesmo o seu agravamento.

«A persistência de taxas de juro soberanas elevadas poderá também aumentar os custos de financiamento dos bancos no mercado interbancário e afetar parcialmente a valorização das respetivas carteiras de obrigações. Por último, uma maior concorrência na captação de depósitos poderá corroer parte dos ganhos de margem que antecipamos», conclui a agência de rating.

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