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DBRS destaca solidez dos bancos portuguesas apesar de descida da rentabilidade

Agência de rating diz que a qualidade dos ativos melhorou e prevê melhoria dos resultados ao longo do ano graças a subidas nas taxas de juro

12 Ago 2026 - 11:34

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Setor bancário nacional

Setor bancário nacional

Os bancos portugueses apresentaram resultados “globalmente sólidos” no primeiro semestre, embora a rentabilidade tenha descido face aos níveis elevados registados em 2025, segundo uma análise divulgada nesta quarta-feira pela Morningstar DBRS.

“Os resultados continuaram a ser sustentados por um crescimento robusto do crédito, pelo aumento das receitas de comissões e pelos custos de risco bem contidos”, refere a agência de notação financeira, salientando que “o setor continuou a beneficiar do sólido desempenho económico de Portugal e de um mercado de trabalho forte”.

Segundo a DBRS, no segundo trimestre a qualidade dos ativos da banca portuguesa “melhorou ainda mais em relação ao trimestre anterior”, enquanto a capitalização “se manteve sólida, com reservas substanciais acima dos requisitos regulamentares mínimos”.

“Com base nos resultados do primeiro semestre de 2026, esperamos que os bancos portugueses mantenham uma rentabilidade sólida ao longo do ano, sustentada pelo crescimento contínuo do crédito e dos depósitos e por uma curva da Euribor mais favorável e impulsionada por taxas de juro mais elevadas, por receitas de comissões mais elevadas, por uma gestão disciplinada dos custos e por um baixo custo de risco”, refere.

No entanto, sustenta, “é provável que a rentabilidade do exercício de 2026 se mantenha globalmente estável ou registe uma quebra moderada em comparação com os níveis elevados registados em 2025”.

Embora não perspetive atualmente “riscos significativos de revisão em baixa” para esta avaliação, a Morningstar DBRS adverte que “uma deterioração adicional e inesperada no ambiente geopolítico já desafiante poderá enfraquecer as perspetivas macroeconómicas e exercer pressão sobre o desempenho operacional dos bancos”.

Globalmente, os bancos portugueses registaram um lucro líquido agregado de 2.500 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, uma descida homóloga de 5,2%, refletindo principalmente menores receitas de negociação e custos operacionais mais elevados.

Este resultado traduz ainda uma diminuição nas outras receitas operacionais, devido à ausência do benefício pontual reconhecido no primeiro semestre de 2025, resultante da reversão do imposto de solidariedade adicional imposto ao setor bancário em 2020, na sequência da sua anulação pelo Tribunal Constitucional.

A rentabilidade dos capitais próprios (ROE, indicador financeiro que mede a capacidade de uma empresa gerar lucro) agregada foi calculada em 14,8% no primeiro semestre, em comparação com 16,7% no primeiro semestre de 2025.

Segundo a DBRS, todos os bancos nacionais registaram um lucro líquido atribuível inferior ao semestre homólogo, com exceção do BCP.

Já a margem de juros líquida (NII) agregada manteve-se, em termos gerais, inalterada no primeiro semestre face ao mesmo período do ano anterior, embora o desempenho tenha variado entre os bancos.

O BCP, o Montepio e o Novo Banco registaram uma NII mais elevada, apoiada por um “crescimento robusto do crédito, um aumento das contribuições das carteiras de títulos e das coberturas de taxa de juro, bem como por custos de financiamento mais baixos”, que “mais do que compensaram a descida das taxas de rendibilidade dos ativos”.

Em contraste, a NII diminuiu na CGD, no BPI e no Totta, uma vez que “os fortes volumes de novos empréstimos não compensaram totalmente as taxas de rendibilidade mais baixas dos ativos”.

A Morningstar DBRS indica ainda que o crescimento do crédito se manteve “robusto em todos os segmentos”, especialmente nos empréstimos hipotecários e no crédito às empresas, com o volume bruto agregado de empréstimos a aumentar 9,0% em termos homólogos no final de junho de 2026.

“Prevemos que o crédito continue a expandir-se durante o segundo semestre do ano, embora o crescimento dos empréstimos hipotecários deva moderar-se”, antecipa.

Segundo refere, para a maioria dos bancos, a margem de juros tem vindo a recuperar a cada trimestre desde que atingiu um mínimo no 4.º trimestre de 2025, refletindo “um ambiente de taxas de juro mais favorável para os bancos portugueses, cujas carteiras de crédito continuam predominantemente indexadas a taxas variáveis”.

Agência Lusa

Editado por Jornal PT50

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