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DBRS vê qualidade dos ativos da banca portuguesa estável a curto prazo
A DBRS analisou os resultados trimestrais de seis bancos portugueses e destacou a resiliência das receitas, bem como a forte posição de capital para fazer face às incertezas atuais do mercado.
14 Mai 2026 - 12:12
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A Morningstar DBRS considera que a qualidade dos ativos da banca portuguesa, a curto prazo, se deve manter graças às “condições robustas do mercado laboral, crescimento real positivo dos salários, balanços saudáveis do setor privado e medidas de apoio do Governo”.
Por outro lado, a agência de ‘rating’ avisa que a continuação da guerra no Médio Oriente e a contínua pressão inflacionária, que pode levar a taxas de juro mais elevadas, podem resultar, no médio prazo, em deterioração da qualidade dos ativos dos bancos portugueses. A DBRS sublinha, ainda assim, a robusta posição de capital reportada no primeiro trimestre de 2026 e que permite uma “capacidade de absorção de perdas forte contra riscos imprevistos”.
A agência fundamenta esta perspetiva com o rácio CET1 médio dos bancos analisados, de 16,8%, que configura um ‘buffer’ de 683 pontos base acima do requisito mínimo obrigatório médio.
A DBRS analisou os resultados de seis bancos portugueses no arranque do ano – Caixa Geral de Depósitos (CGD), Millennium BCP, Novo Banco, Santander Portugal, BPI e Banco Montepio.
Ainda na ótica da qualidade de ativos, a DBRS salienta o rácio NPE médio estável, de 1,7%, igual ao do ano completo de 2025. Mais ainda, a instituição nota que este baixa para 1,6% quando se exclui a exposição da CGD à dívida soberana de Moçambique. “Os bancos portugueses têm também um dos maiores níveis de coberturas de NPE na Europa, com uma média simples de rácio de cobertura de 90,9% no final de março”, destaca.
No que diz respeito às imparidades de crédito, estas também se mantiveram estáveis. “A maioria dos bancos reportou imparidades de crédito mais baixas ou reversões de imparidades maiores, como foi o caso da CGD. Por oposição, o Banco Montepio e o Santander registaram pequenas imparidades de crédito no primeiro trimestre, contra reversões de imparidades consideráveis” no período homólogo, realça a DBRS.
Apesar deste cenário positivo, a agência espera que as imparidades no total de 2026 sejam mais elevadas, “refletindo as perspetivas globais mais fracas perante a crescente incerteza do conflito no Médio Oriente”.
Resultado global a crescer, mas desempenhos individuais dissonantes
A DBRS observa que, apesar de um resultado global positivo, com o lucro total destas instituições a crescer 4% para 1,3 mil milhões, os desempenhos individuais são mistos, com o BPI, o Santander Portugal e o Banco Montepio a reportarem quebras no seu resultado líquido.
Também a rentabilidade apresenta uma amplitude alargada, com o ROE individual a variar de 5,3% no Banco Montepio a 23,5% no Santander Portugal, de acordo com os cálculos da agência. O ROE médio total fixou-se em 14,7%, abaixo de 15,4% um ano antes.
As margens financeiras ainda se estão a ajustar à descida das taxas de juro do Banco Central Europeu. Apenas o BCP alcançou um aumento da margem financeira, de 2,4%. A margem agregada dos seis bancos caiu 0,8% em termos homólogos, mas já apresenta uma “tendência positiva” em cadeia. Já as receitas com comissões aumentaram 4,8%, maioritariamente devido a serviços de pagamentos, seguros e serviços de gestão de ativos, segundo a DBRS.
Ao mesmo tempo que as margens sofrem, a banca nacional tenta manter os custos controlados. O total das despesas operacionais subiu 2,9%, “refletindo pressões inflacionárias, bem como o investimento em tecnologia e capacidades digitais”. Também aqui variaram as prestações dos bancos, mas o rácio de eficiência manteve-se estável nos 37%.
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