5 min leitura
Um ano depois, margem do BCP continua a ser a única a resistir na banca portuguesa
Além de ter a única margem financeira que cresce, o BCP também apresentou o maior aumento de resultado líquido. O lucro dos cinco maiores bancos cresceu 4,8% no primeiro trimestre do ano para 1,28 mil milhões.
08 Mai 2026 - 18:01
5 min leitura
Caixa Geral de Depósitos (CGD), Banco Comercial Português (BCP), Novo Banco, S.A., Banco BPI e Banco Santander Totta
Mais recentes
- Paulo Macedo: “A garantia pública tem impacto no preço das casas”
- Um ano depois, margem do BCP continua a ser a única a resistir na banca portuguesa
- CGD com lucros de 397 milhões nos primeiros três meses de 2026
- Parlamento aprova na generalidade criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique
- Banco de Portugal envolvido em 155 ações de cooperação técnica em 2025
- FMI diz que a IA aumenta o risco para a estabilidade financeira
Caixa Geral de Depósitos (CGD), Banco Comercial Português (BCP), Novo Banco, S.A., Banco BPI e Banco Santander Totta
Os cinco maiores bancos portugueses registaram um lucro de 1,28 mil milhões no primeiro trimestre do ano, o que configura um aumento de 4,8% face a igual período de 2025. Os resultados variam de forma considerável, com o Millennium BCP a registar a maior subida do resultado líquido, em 25,6% para 305,8 milhões, e o Santander Portugal a protagonizar a maior descida, de 9,8%, para 242,4 milhões.
Ainda do lado positivo, o Novo Banco alcançou um incremento de 13,2% no seu lucro, totalizando 200,7 milhões. A Caixa Geral de Depósitos (CGD) conseguiu uma subida modesta de 1% para 397 milhões, mantendo-se em terreno de crescimento. Por outro lado, o BPI junta-se ao Santander, com um resultado de 133 milhões, o que equivale a uma quebra de 2%.
Além da tendência crescente geral dos lucros, um outro dado parece manter-se constante face ao trimestre homólogo: o BCP continua a ser o único banco cuja margem financeira continua a subir. O maior banco privado português registou uma margem de 738,4 milhões de euros entre janeiro e março, ficando 2,4% acima do ano anterior.
Em sentido contrário, os seus pares apresentaram todos uma quebra desta receita, ainda que nunca acima dos 3,5%. A maior descida deu-se no Santander Portugal, que caiu precisamente 3,5% para 341,8 euros. Seguem-se a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o BPI, com recuos de 3,1% e 3%, respetivamente, para 616,5 milhões e 216 milhões. Por fim, o Novo Banco reportou uma margem financeira de 276,2 milhões, menos 1% do que um ano antes.
Olhando para as receitas globais, os dados já se misturam um pouco. O BPI mantém-se consistente, com a receita total a acompanhar a descida da margem, em 3%, fixando-se em 283 milhões. Já o Novo Banco viu a sua receita crescer 4,4% para 389,8 milhões apesar da queda da margem.
O BCP apresentou as receitas mais elevadas, de 956,3 milhões, ficando 3,7% acima do mesmo período de 2025. Por sua vez, o Santander conseguiu compensar parcialmente a menor margem, mas não o suficiente para impedir as receitas de baixarem 1,1% para 479,5 milhões. Por fim, a CGD viu um agravamento global da receita superior ao da sua margem financeira. O banco público reportou uma queda de 5,1% para 778,4 milhões.
Despesas só descem na CGD, mas eficiência só melhora no BCP
Contrariamente aos concorrentes, a CGD foi a única instituição bancária a conseguir reduzir as suas despesas no primeiro trimestre. O banco cortou os custos em 0,4% para 307 milhões. Do lado oposto, tanto o BCP como o Santander assistiram ao maior aumento, de 4,5%. O primeiro para 354,9 milhões e o segundo para 136,2 milhões.
As despesas do Novo Banco fixaram-se em 130,6 milhões, subindo 4,2% em relação ao ano anterior, enquanto o BPI reportou custos de 132 milhões, mais 4%.
Mesmo com a redução de gastos, a CGD foi o banco que mais deteriorou o seu rácio de eficiência, subindo 2,3 pontos percentuais (pp) para 38,5%. É, também, o rácio mais elevado entre os cinco. O mais baixo pertence ao Santander, que se fixou em 28,4%. Este resultado, contudo, teve também uma deterioração, de 1,5 pp.
O BPI apresentou um rácio de eficiência de 38%, mais 2 pp do que no mesmo trimestre de 2025. BCP e Novo Banco empatam nos 36,1%. No entanto, enquanto o primeiro alcança uma melhoria de 1,3 pp, o segundo piorou em 1,6 pp.
Olhando à rentabilidade das instituições, a tendência global foi de queda. A exceção é, mais uma vez, o BCP, que viu o seu RoTE aumentar 2,1 pp para 16,6%.
Para esta mesma métrica, BPI, Novo Banco e Santander registaram quedas de 2,2 pp, 1,8 pp e 1,2 pp, respetivamente. Os seus RoTE fixaram-se em 15,3%, 19,9% e 31,4%. Já a CGD revela apenas o seu ROE, que caiu 0,3 pp para 15%.
Em termos de capitalização, o Novo Banco foi o único a reforçar a mesma. O rácio CET1 do banco liderado por Mark Bourke ascendeu a 19,2%, mais 3,2 pp do que no final de março de 2025. A CGD manteve-se estável nos 21,2% e o BPI teve uma ligeira quebra de 0,1 pp para 13,8%. O Santander baixou 0,4 pp para 13,9% e, por fim, o BCP caiu 0,8 pp para 15,1%.
Ainda na questão da liquidez, o LCR destas instituições varia bastante. O Millennium BCP apresenta o valor mais elevado, de 354%, e o Santander o mais baixo, de 131,4%. Ambos estes bancos registaram subidas, de 35 pp e 1,9 pp, respetivamente.
No sentido descendente estão os restantes, com quedas de 35 pp, 14,1 pp e 10 pp a verificarem-se, respetivamente, no BPI, CGD e Novo Banco. O LCR destas instituições foi de 157%, 313,8% e 150%.
No que diz respeito a crédito malparado, os bancos portugueses continuam a limpar os balanços. O BPI foi o único a não reduzir o seu rácio NPE, mantendo-se nos 1,3%. No entanto, o banco é o que apresenta o valor mais baixo.
Segue-se o Santander, com 1,4%, tendo baixado 0,1 pp, e o BCP, também com 1,4% e uma descida de 0,4 pp. A CGD fixa-se em 1,66% e regista uma quebra ligeira de 0,02 pp. Já o Novo Banco não reporta o seu rácio NPE, mas revela que o NPL caiu de 3,2% para 2,9%.
Mais recentes
- Paulo Macedo: “A garantia pública tem impacto no preço das casas”
- Um ano depois, margem do BCP continua a ser a única a resistir na banca portuguesa
- CGD com lucros de 397 milhões nos primeiros três meses de 2026
- Parlamento aprova na generalidade criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique
- Banco de Portugal envolvido em 155 ações de cooperação técnica em 2025
- FMI diz que a IA aumenta o risco para a estabilidade financeira