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Sete maiores bancos europeus têm uma exposição de 108 mil milhões ao crédito privado
Standard & Poor’s coloca o alemão Deutsche Bank na liderança, com 25,9 mil milhões de euros de exposição, seguido pelo francês BNP Paribas, com 22 mil milhões.
13 Mai 2026 - 17:13
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Foto: Deutsche Bank
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Um relatório da Standard & Poor’s sobre a exposição direta dos principais bancos europeus ao setor do crédito privado estima um valor agregado de 108 mil milhões de euros, representando cerca de 2% do total das suas carteiras de empréstimos a clientes.
O documento, divulgado nesta quarta-feira, refere que “o recente crescimento acelerado e a concentração de empréstimos em empresas de software podem conduzir a uma deterioração gradual das carteiras de crédito dos fundos de crédito privado, o que poderá levar os bancos a restringirem o financiamento de novos fundos e, potencialmente, a aumentarem as provisões para crédito”.
A S&P refere que as suas estimativas estão, em grande medida, alinhadas com as do Conselho de Estabilidade Financeira, que observou recentemente uma exposição combinada de cerca de 110,6 mil milhões de euros para bancos da zona euro e do Reino Unido.
“As exposições dos bancos a fundos de crédito privado são garantidas e normalmente originadas com rácios LTV (loan-to-value) relativamente moderados, resultando num risco de crédito relativamente baixo, como demonstram as taxas de perda historicamente reduzidas nestas carteiras”, refere o relatório. A título de exemplo, “a maioria dos bancos reporta LTV típicos entre 50% e 60% para exposições de financiamento de carteiras. As linhas de crédito subscritas apresentam normalmente LTV mais elevados, até 90%, mas são garantidas por compromissos de investidores finais, e não por carteiras de empréstimos originadas pelos fundos”.
A S&P não considera estas exposições a fundos de crédito privado “uma fonte material de risco sistémico para os bancos europeus”. No entanto, alerta que, “após um período de rápido crescimento e num contexto macroeconómico em deterioração, mais instituições financeiras não bancárias poderão apresentar carteiras de crédito em declínio. Como credores garantidos, os bancos não são os primeiros a absorver as perdas resultantes, mas também não estão imunes”.
A agência de rating acrescenta que “os principais bancos europeus anunciaram estar a rever os seus portefólios existentes, reduzindo o apetite por novas exposições a financiamentos”. Os reguladores europeus “também estão a analisar estes financiamentos com maior rigor”. Ainda assim, a S&P considera que “embora isso indique potenciais perdas com provisões nos próximos trimestres, essas perdas deverão permanecer geríveis, tendo em conta a dimensão relativamente contida das exposições e as perspetivas de uma rentabilidade global saudável para os grandes bancos europeus em 2026”.
Discriminando por instituição, a S&P refere que o Deutsche Bank tem 25,9 mil milhões de euros em exposição desembolsada, equivalentes a cerca de 5,4% dos empréstimos a clientes. Este valor inclui cerca de 19 mil milhões de euros (73%) em exposição a financiamento de credores e 500 milhões de euros em exposição desembolsada a BDCs (Business Development Companies) dos EUA.
Já o BNP Paribas apresenta 22 mil milhões de euros em exposições de crédito consideradas utilizadas, correspondentes a cerca de 2,5% dos empréstimos a clientes. Embora não exista uma divisão precisa, cerca de 90% representam exposições de “financiamento sénior de carteira”.
O britânico Barclays tem 18,4 mil milhões de euros em exposições de financiamento de crédito privado já utilizadas, equivalentes a cerca de 3,6% dos empréstimos a clientes. O montante inclui 1,1 mil milhões de euros em exposição a BDCs dos EUA. O Barclays divulgou ainda 5,7 mil milhões de euros em compromissos não utilizados com fundos de crédito privado, 4,6 mil milhões de euros em exposição utilizada a fundos de private equity e 65,7 mil milhões de euros em exposição utilizada a produtos securitizados através de operações de financiamento garantidas por ativos.
A Société Générale tem uma exposição de 14 mil milhões de euros em caso de incumprimento — incluindo compromissos não utilizados — representando cerca de 1,4% dos ativos do grupo em risco de incumprimento ou cerca de 3% dos empréstimos a clientes. O valor inclui 3 mil milhões de euros em financiamento de chamadas de capital para investidores e mil milhões de euros de exposição a BDCs dos EUA.
O HSBC apresenta 16 mil milhões de euros em exposições a crédito privado, cerca de 1,6% dos empréstimos a clientes. O montante inclui 3 mil milhões de euros em financiamento de fundos, sendo o restante correspondente a subscrições e outros financiamentos de securitização.
O Banco Santander tem menos de 1% da carteira total exposta ao crédito privado, o que a S&P estima corresponder a cerca de 11 mil milhões de euros, com base nos empréstimos a clientes registados no final de março de 2026. Cerca de 70% destas exposições correspondem a financiamento de subscrição.
Por fim, o Crédit Agricole apresenta 2,9 mil milhões de euros de exposição a fundos de dívida, o equivalente a cerca de 0,2% dos empréstimos a clientes.
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