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E os pagamentos offline?
Por Telmo Santos, co-CEO da Eupago
14 Mai 2025 - 07:12
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O recente apagão leva-nos a pensar no que podemos fazer para prevenir a sensação de incerteza quando tudo para. Ficámos sem energia, sem internet e sem conseguirmos pagar um simples café. Foi aí que percebemos que precisamos de continuar a viver mesmo sem rede. Quando lemos que os países nórdicos planeiam avançar com o sistema de pagamentos offline, percebemos que a prevenção deve ser a solução.
Portugal pode olhar para esta decisão dos países nórdicos como uma estratégia inteligente para reforçar a digitalização com mecanismos de contingência robustos e preparados para responder do mais simples ao mais complexo momento de falha.
Segundo a informação mais recente do Banco de Portugal, no dia do apagão, houve uma quebra de 15% na atividade económica, um dado muito claro que revela como a falha de rede e a estagnação dos negócios e compras podem abalar um país. Porque mesmo em situação de crise, a economia deve continuar a circular.
Os incidentes como as falhas técnicas ou ataques informáticos podem comprometer o funcionamento de serviços essenciais, como pagamentos em supermercados, farmácias ou postos de combustível. Por isso, países como a Finlândia, Suécia, Noruega, Dinamarca e Estónia planeiam criar terminais que armazenem de forma encriptada os dados de transações, sincronizando-os quando a conexão regressa. Isto garante que, mesmo em cenários de crise, a população consegue fazer pagamentos.
A acrescentar a esta visão de praticidade e, até, de sobrevivência, podemos abordar a segurança digital e a possibilidade de termos de enfrentar riscos associados a eventuais ataques. Grande parte das transações dependem de redes online e de operadores, como Visa ou Mastercard, o que leva a que exista uma grande necessidade em reforçar a autonomia e a resiliência dos sistemas financeiros nacionais.
Num cenário europeu – e global – cada vez mais marcado por incertezas geopolíticas, ter um sistema capaz de funcionar offline é um investimento em soberania financeira e digital. Em resumo, torna-se imperativo unir as soluções online e offline de modo a podermos assegurar o melhor interesse da população.
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