4 min leitura
Fintech num minuto – A Europa e o futuro digital: entre a soberania e a inovação
Por Gonçalo Freire, Secretário-Geral da Fundação Alfredo de Sousa e Head of Open Innovation da Swiss Fintech Association
23 Abr 2026 - 14:26
4 min leitura
Mais recentes
- Um em cada cinco jovens de famílias com baixa escolaridade não atinge nível básico de literacia financeira
- Habitação provoca choque frontal entre Governo e Banco de Portugal
- Governo alarga montantes de subscrição dos Certificados de Aforro
- Agenda da semana: o que não pode perder na banca e sistema financeiro
- Catástrofes juntam supervisor dos seguros e cientistas da União Europeia
- Fundo nacional para riscos catastróficos em Portugal: é hora de decidir.
A notícia sobre a Europa querer soberania tecnológica, contrastando com o investimento massivo em Inteligência Artificial, chama a atenção para um dilema central que atravessa o sector financeiro e a sociedade em geral. Esta semana, o anúncio do lançamento do Monzo na Irlanda, após uma lista de espera de 100.000 clientes, demonstra a apetência por novas soluções bancárias digitais. Ao mesmo tempo, a discussão sobre o euro digital e a necessidade de construir confiança em serviços bancários digitais, como abordado no design de FinTech, sublinham a complexidade desta transição.
O desejo de soberania tecnológica na Europa é compreensível. Queremos controlar os nossos dados, as nossas infraestruturas e as nossas tecnologias. No entanto, a realidade é que a inovação digital é global. Países e regiões que investem massivamente em áreas como a Inteligência Artificial, como a Europa prevê fazer com 290 mil milhões de dólares até 2029, estão a apostar no futuro. A questão é se esta aposta será suficiente para garantir essa soberania, ou se continuaremos a depender de tecnologias desenvolvidas noutras partes do mundo.
No sector financeiro, esta tensão é ainda mais palpável. O lançamento de bancos digitais como o Monzo em novos mercados, como a Irlanda, mostra a força da inovação e a procura por serviços mais ágeis e centrados no cliente. Estes novos actores desafiam os modelos tradicionais e forçam a adaptação. A confiança é a moeda de troca neste novo cenário. Um design de FinTech que prioriza a clareza, a segurança e a transparência é fundamental para conquistar e manter a confiança dos utilizadores.
A discussão sobre o euro digital insere-se neste contexto. A possibilidade de ter uma moeda digital europeia levanta questões sobre o futuro do dinheiro físico, a privacidade e o controlo. É uma iniciativa que visa fortalecer a autonomia europeia no espaço financeiro digital, mas que também exige uma reflexão profunda sobre as suas implicações para os cidadãos e para o sistema financeiro como um todo.
As preocupações com a segurança no mundo das criptomoedas, como a discussão sobre a falta de congelamento de stablecoins em casos de roubo, evidenciam os desafios regulatórios e de segurança que acompanham a inovação. É crucial que a Europa, ao procurar a sua soberania tecnológica, não sacrifique a segurança e a proteção dos seus cidadãos. A regulação deve acompanhar o ritmo da inovação, garantindo um ambiente seguro para todos.
A aposta em IA, o lançamento de novos bancos digitais e a discussão sobre o euro digital são sinais claros de que a Europa está a tentar moldar o seu futuro digital. O caminho para a soberania tecnológica é complexo e exige um equilíbrio delicado entre a inovação interna e a colaboração externa. O sucesso dependerá da nossa capacidade de criar um ecossistema digital que seja simultaneamente inovador, seguro e que sirva os interesses dos cidadãos europeus.
Olhando para o futuro, a concretização da soberania tecnológica europeia passará, inevitavelmente, pela capacidade de atrair e reter talento, de fomentar um ambiente regulatório que incentive a inovação responsável e de construir pontes entre as novas tecnologias e as necessidades reais da sociedade. A experiência do Monzo na Irlanda, por exemplo, pode oferecer lições valiosas sobre como conquistar a confiança dos consumidores e adaptar serviços às especificidades locais, um passo essencial para qualquer estratégia de soberania digital.
Mais recentes
- Um em cada cinco jovens de famílias com baixa escolaridade não atinge nível básico de literacia financeira
- Habitação provoca choque frontal entre Governo e Banco de Portugal
- Governo alarga montantes de subscrição dos Certificados de Aforro
- Agenda da semana: o que não pode perder na banca e sistema financeiro
- Catástrofes juntam supervisor dos seguros e cientistas da União Europeia
- Fundo nacional para riscos catastróficos em Portugal: é hora de decidir.