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Entre a cautela bancária e a revolução da inteligência artificial

Por Gonçalo Freire · Secretário-Geral, Fundação Alfredo de Sousa | Head of Open Innovation, Swiss Fintech Association

14 Abr 2026 - 07:31

3 min leitura

A notícia de que os bancos abordam as stablecoins com cautela, apesar do crescimento do mercado, é um espelho da complexidade que define hoje o setor fintech. Esta prudência, compreensível face aos riscos regulatórios e à necessidade de proteger a estabilidade financeira, contrasta com a velocidade vertiginosa de outras inovações que vemos surgir.

Enquanto o setor bancário tradicional pondera os passos a dar no mundo dos ativos digitais, a inteligência artificial (IA) continua a moldar o futuro. Vemos isso na criação de ferramentas como a Faybl, desenhada para apoiar consultores financeiros, prometendo maior eficiência e personalização no aconselhamento. A IA não é apenas uma ferramenta de automação, mas um parceiro que pode amplificar as capacidades humanas.

Contudo, a aplicação da IA levanta também questões interessantes e por vezes controversas. O debate em torno do ‘Tokenmaxxing’, com os seus sistemas de classificação para o uso de tokens de IA, mostra como a gamificação e a monitorização de desempenho podem ser aplicadas a novas tecnologias. Isto levanta reflexões sobre produtividade, privacidade e a própria natureza do trabalho na era digital.

Para além da tecnologia de base, a adoção pelos utilizadores é crucial. A Coinbase, através de figuras como Catherine Ferdon, demonstra a importância de ‘tornar a fintech apelativa’. Não basta ter uma boa tecnologia, é preciso comunicá-la, torná-la acessível e desejável. Iniciativas como o bónus de referência de 100 dólares da Spruce Money são exemplos práticos de como as empresas procuram atrair e reter clientes, num mercado cada vez mais competitivo.

A interoperabilidade é outro fator chave para a adoção massiva. A entrada da Neo Financial na rede Interac, seguindo o exemplo da Wealthsimple, sublinha a necessidade de sistemas financeiros digitais que funcionem em conjunto, sem fricções. A facilidade de transação e a integração com as redes existentes são fundamentais para que as novas soluções se tornem parte integrante do quotidiano dos cidadãos.

Eventos como o Finovate Global na Tailândia apontam para tendências futuras, como os ativos digitais e as ‘transações agenticas’. Estas últimas, que envolvem sistemas de IA a realizar transações de forma autónoma, representam um salto significativo na forma como o dinheiro pode ser movimentado e gerido. É um vislumbre de um futuro onde a autonomia digital terá um papel ainda mais proeminente.

O caminho a seguir para a fintech, em Portugal e no mundo, passa por uma regulamentação inteligente. Esta deve ser capaz de proteger os utilizadores e a estabilidade do sistema financeiro, sem sufocar a inovação que tanto impulsiona o progresso. É um esforço contínuo de adaptação, colaboração e aprendizagem para todos os intervenientes, desde os reguladores aos empreendedores e, claro, aos próprios utilizadores.

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