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Euronext aberta a fusão ou outra aliança com rival Deutsche Börse
A fusão entre as duas operadoras de bolsas europeias já tiveram vários avanços e recuos ao longo das últimas duas décadas. O CEO da Euronext acredita que deve ser motivada por razões económicas e não políticas.
14 Set 2026 - 12:28
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Stéphane Boujnah, CEO Euronext | Foto: Euronext
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Stéphane Boujnah, CEO Euronext | Foto: Euronext
O maior operador de bolsa europeu, Euronext, está aberto a uma fusão ou outro tipo de aliança com o principal rival, Deutsche Börse, que poderia resultar num enorme mercado europeu, refere nesta segunda-feira o Financial Times. O conselheiro delegado da Euronext, Stéphane Boujnah, indicou, em entrevista ao jornal, que “uma operação que teria sentido seria a fusão dos negócios de bolsa”, embora precisasse que atualmente não existem conversações entre ambos os grupos.
A Euronext opera mercados em oito países, incluindo França, Países Baixos, Itália e Portugal, além de atividades de pós-negociação, compensação e energia, e tem uma capitalização de mercado de cerca de 16 mil milhões de euros. Por sua vez, a Deutsche Börse gere a Bolsa de Frankfurt e a Eurex, uma das maiores plataformas de derivados do mundo, além de negócios de pós-negociação, e está avaliada em cerca de 50 mil milhões de euros.
Segundo o FT, a união do maior operador de bolsa da Europa com o rival alemão poderia aumentar a liquidez e a competitividade na região, num momento em que as instituições comunitárias estudam reformas dos mercados de capitais, que poderia incluir a centralização da supervisão de algumas das principais entidades.
“O mercado alemão de renda variável é pouco profundo, enquanto o da Euronext é profundo”, afirmou Boujnah, em referência à sua menor liquidez e volume de negociação, e apontou que haveria muitas sinergias ao aproximar ambas as bolsas. O objetivo, acrescentou, seria criar um único mercado de renda variável capaz de atender às necessidades das três maiores economias europeias: Alemanha, França e Itália.
O FT lembra que a possibilidade de unir ambos os grupos de bolsas foi levantada anteriormente e aponta que a Deutsche Börse retirou em 2006 uma oferta para adquirir a Euronext, e uma tentativa de fusão posterior foi bloqueada pela Comissão Europeia em 2012 por motivos de concorrência. Em 2023, os responsáveis de ambas companhias estudaram a criação de uma empresa conjunta para as aberturas de capital europeias, com o objetivo de competir melhor com os Estados Unidos.
Boujnah reconheceu que qualquer operação deveria ser aprovada pelos reguladores e observou que “os problemas de concorrência são bem conhecidos”, embora tenha sublinhado que, “no papel, é interessante para a Europa considerar a criação de uma infraestrutura de mercado paneuropeia de escala planetária”.
No entanto, o executivo advertiu que qualquer operação para criar uma grande bolsa europeia deveria responder a uma lógica económica e gerar valor para os acionistas, e não ser impulsionada pelos políticos, já que toda a fusão impulsionada “de cima” estaria condenada ao fracasso.
A Deutsche Börse disse por sua parte que “não existem conversações” entre esta entidade e a Euronext sobre uma possível fusão e destacou que o grupo “tem negócios em todos os grandes centros financeiros europeus” e leva mais de duas décadas a trabalhar na construção de “um sólido ecossistema europeu de mercados de capitais”.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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