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Governos europeus sentam-se à mesa para decidir cúpula do BCE até dezembro
2027 marca o fim dos mandatos de Christine Lagarde, Philip Lane e Isabel Schnabel. Os governos da Zona Euro entram agora em negociações para resolver o jogo de cadeiras do BCE.
14 Set 2026 - 11:39
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O futuro da liderança do Banco Central Europeu (BCE) continua a dar que falar, com mais incógnitas do que certezas. Na conferência de imprensa da passada quinta-feira, questionada novamente sobre o assunto, a presidente do supervisor, Christine Lagarde, voltou a acalmar os ânimos, dizendo que “não há nada a reportar” sobre a sua saída, apesar das várias notícias sobre a transição para o topo do World Economic Forum.
Nos bastidores, contudo, já há movimentações para mudar as caras do regulador da banca europeia. O Financial Times (FT) avança que os governos da Zona Euro estão a preparar uma mudança drástica na cúpula do BCE. Já não é apenas Lagarde que tem um pé de fora, mas também o economista-chefe Philip Lane e Isabel Schnabel, também membro da Comissão Executiva do banco central. Ambos terminam os mandatos no próximo ano, tal como a presidente.
Assim, os líderes dos países do euro preparam-se para chegar a um acordo sobre os três cargos de topo ao mesmo tempo, com o objetivo de ter o assunto encerrado até ao final de 2026, segundo um diplomata da UE que foi informado sobre o tópico, segundo o FT. Um outro diplomata confirmou ao periódico britânico que há “consultas estratégicas” em curso.
O jornal económico lembra que a volatilidade está a marcar o atual contexto político, o que pode estar a forçar os dirigentes europeus a moverem-se mais rapidamente. No próximo ano, França vai a votos e Marine Le Pen surge como favorita. Olhando para o presente, o partido de extrema direita alemão AfD teve uma vitória regional sonante na semana passada, deixando os políticos europeus ainda mais alerta.
Um oficial sénior envolvido no processo de escolha reiterou que a designação do próximo presidente do BCE é a nomeação mais importante na Europa até 2029, quando a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen chega ao fim do seu mandato. Neste sentido, a mesma fonte indicou ao FT que a liderança do BCE necessita de “pessoas fortes com perfis diferentes” para agir de forma eficaz ao longo dos próximos anos.
Os pré-candidatos
A lista de possíveis sucessores para Lagarde não é nova. O atual diretor-geral do Banco de Pagamentos Internacionais, Pablo Hernández de Cos, o ex-governador do Banco dos Países Baixos, Klaas Knot, e o presidente do banco central alemão, Joachim Nagel, são os candidatos mais badalados.
Apesar do seu interesse no cargo, Nagel não é apontado pelo FT como provável sucessor, pois dois alemães à frente das duas instituições mais importantes dentro da UE não parece exequível. Ao mesmo tempo, várias fontes revelam ao jornal britânico que o apoio a Nagel em Berlim é “morno”. Assim, sobram os pretendentes espanhol e neerlandês.
Paralelamente, o executivo germânico prepara-se para apresentar candidatos ao cargo de economista-chefe. Um presidente de outro país com um economista-chefe alemão é um “potencial plano” para Berlim, de acordo com uma pessoa inteirada das discussões. Nesta lista, adiantam três fontes ao FT, surgem Markus Brunnermeier, economista de Princeton, Monika Piazzesi, professora de Stanford, e Tobias Adrian, economista sénior do FMI.
Por sua vez, França prepara também uma investida ao cargo de economista-chefe, com a atual vice-presidente do Banque de France, Agnès Bénassy-Quéré, e Laurence Boone, antigo economista-chefe da OCDE, na lista de candidatos.
Um presidente espanhol e um economista-chefe francês são uma dupla improvável aos olhos de Berlim, enquanto um líder neerlandês e um economista-chefe alemão não caem nas boas graças de Paris. Várias pessoas, contudo, avisam que um possível terceiro candidato surpresa pode surgir, tal como a própria Lagarde apareceu, pela mão de Macron, em 2019.
Ao FT, tanto o executivo alemão como o francês recusaram comentar, bem como o BCE, o Bundesbank e o World Economic Forum. Também Lagarde, Schnabel e Nagel não quiseram prestar declarações.
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