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Fed vigia a utilização da IA pelos bancos norte-americanos há quase uma década

Michelle W. Bowman, vice-presidente para a Supervisão do Conselho de Governadores da Reserva Federal, afirma que as instituições financeiras têm de justificar a relevância da inteligência artificial nas suas operações

07 Jul 2026 - 17:45

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Michelle Bowman da Reserva Federal | Foto: Fort Hays State University

Michelle Bowman da Reserva Federal | Foto: Fort Hays State University

A Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) vigia a utilização da inteligência artificial (IA) pelos bancos norte-americanos há quase uma década. A revelação foi feita nesta semana por Michelle W. Bowman, vice-presidente para a Supervisão do Conselho de Governadores da Fed, durante uma intervenção num evento organizado pelo Conselho de Estabilidade Financeira (Financial Stability Board – FSB), dedicado à apresentação do relatório sobre boas práticas para a adoção responsável da IA.

Michelle W. Bowman afirmou que «temos observado um aumento significativo da utilização da IA por bancos de todas as dimensões, bem como uma enorme diversidade de aplicações internas. O nosso objetivo tem sido apoiar as instituições que pretendem inovar de forma responsável, tirando partido das ferramentas de IA nas suas operações».

Segundo a responsável, «um elemento central da gestão do risco associado à IA é a compreensão dos casos concretos de utilização. No relatório do FSB apresentamos vários exemplos, incluindo estudos de caso detalhados, para ilustrar os tipos de estruturas de governação e de controlos que podem ser adequados em situações semelhantes».

Bowman sublinhou, contudo, que «é importante salientar que estas práticas não constituem a única forma de adotar e utilizar a IA de forma responsável ou de gerir os riscos que lhe estão associados».

Outro aspeto fundamental do relatório, acrescentou, é determinar se a utilização da IA é efetivamente relevante para cada instituição.

«Na minha perspetiva, as instituições financeiras devem explicar de que forma utilizam a IA e demonstrar se essa utilização é relevante para as suas operações de negócio ou para o cumprimento das respetivas obrigações legais e regulamentares», afirmou.

Segundo Bowman, «é precisamente essa utilização efetiva e a sua relevância que permitirão definir o tipo e o grau de governação e de controlos que devem ser aplicados a cada implementação específica da IA». Por essa razão, acrescentou, «o relatório defende que as utilizações de menor risco devem estar sujeitas a uma supervisão e a requisitos regulamentares menos exigentes».

A responsável destacou igualmente que o princípio da proporcionalidade constitui um dos pilares do relatório.

«O que é adequado para grandes instituições financeiras que recorrem à IA em aplicações complexas poderá não ser apropriado para instituições de menor dimensão, cujas utilizações da IA são menos sofisticadas. Como referi, o nosso objetivo é promover a inovação em instituições financeiras de todas as dimensões, e não apenas nas maiores. Este relatório fornece orientações claras para todas elas, incluindo as de menor dimensão.»

Michelle W. Bowman considerou ainda que «este relatório representa um primeiro passo importante na reflexão sobre a forma como as instituições financeiras podem utilizar a inteligência artificial de modo responsável».

«Ao apresentarem os vossos comentários, encorajo-vos a identificar as áreas em que as boas práticas propostas possam ser excessivamente pormenorizadas ou não tenham suficientemente em conta as diferenças de dimensão, complexidade e perfil de risco das instituições», concluiu.

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