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Tempestades podem atirar seguradoras para resultados negativos
Presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões refere mais de 210 mil sinistros e 1,3 mil milhões de euros em indemnizações
07 Jul 2026 - 15:18
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Presidente da ASF, Gabriel Bernardino | Foto: ASF
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Presidente da ASF, Gabriel Bernardino | Foto: ASF
O presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) admitiu nesta terça-feira que algumas seguradoras poderão terminar o ano com resultados negativos devido ao impacto do conjunto de tempestades que atingiu Portugal, mas assegurou que o mercado segurador continua «robusto».
Gabriel Bernardino, que intervinha no Fórum Nacional de Seguros, organizado pelo ECO Seguros, no Porto, afirmou que, apesar de 2026 estar a ser um ano globalmente positivo para o setor, «o conjunto de tempestades não pode deixar de ser o grande tema do ano».
«É claramente o evento com o maior número de sinistros que alguma vez registámos. A última contagem já ultrapassa os 210 mil sinistros», afirmou, acrescentando que o montante das indemnizações ascende já a cerca de 1,3 mil milhões de euros.
O presidente da ASF recordou que «os seguros existem precisamente para estas situações» e sublinhou que «o setor segurador demonstra, nestes momentos, que tem capacidade para responder».
Ainda assim, explicou que, graças aos mecanismos de resseguro e de mutualização do risco, apenas «cerca de 9% deste montante será suportado pelas seguradoras a operar em Portugal», sendo a maior parte dos encargos assumida pelos resseguradores internacionais.
Gabriel Bernardino admitiu, por isso, que «algumas seguradoras possam encerrar o ano com resultados próximos de zero ou mesmo negativos devido a este impacto», mas considerou que tal «não coloca o mercado de joelhos; pelo contrário».
«O mercado continua a revelar-se robusto e isso é, naturalmente, muito importante para nós», acrescentou.
Questionado sobre o reduzido nível de cobertura por seguros contra catástrofes naturais entre os portugueses, o presidente da ASF reconheceu que se trata de um problema debatido «há muitos anos, ou melhor, há décadas».
«Não vale a pena responsabilizar apenas a classe política. Os decisores políticos têm, naturalmente, responsabilidades por não terem tomado decisões atempadas, mas todos nós temos também uma quota-parte de responsabilidade», afirmou.
«Enquanto cidadãos, empresas e instituições da sociedade civil, temos igualmente de fazer ouvir a nossa voz.»
Segundo Gabriel Bernardino, o país «não tem conseguido colocar esta questão no centro da discussão sobre a resiliência da sociedade portuguesa, tanto ao nível dos cidadãos como das empresas».
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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