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Gabriel Bernardino alerta para aquecimento global mais acelerado do que o previsto

Para o setor segurador, Bernardino alerta que as secas e as ondas de calor criam pressão sobre a sinistralidade, a modelização de catástrofes naturais e a precificação do risco.

03 Jul 2026 - 15:09

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Gabriel Bernardino, presidente da ASF/Foto: ASF

Gabriel Bernardino, presidente da ASF/Foto: ASF

O presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), Gabriel Bernardino, alertou, nesta sexta-feira, para uma realidade que se aproxima de forma cada vez mais rápida. O líder do supervisor refere-se ao aquecimento do planeta, argumentando que “os dados sugerem que estamos a aproximar-nos desse limiar [de 1,5°C] mais depressa do que muitos antecipavam há apenas sete anos”.

Gabriel Bernardino recorda que o relatório Copernicus “assumia que o mundo poderia aproximar-se dos 1,5°C entre 2030 e 2040. Sobretudo, alertava para um ponto fundamental: a década de 2020 seria decisiva para determinar a magnitude dos impactos futuros”. “Estamos em 2026”, sublinha.

Hoje em dia, defende, “o debate já não é apenas sobre projeções para 2030 ou 2040. É sobre eventos que estamos a observar hoje, desde ondas de calor recorde até perdas económicas crescentes associadas a fenómenos climáticos extremos”. “Durante anos, os modelos alertaram para aquilo que poderia acontecer. Hoje, é a realidade que está a testar os pressupostos dos modelos”, desafia o líder da ASF.

Sobre o setor segurador em si, Bernardino avisa que “esta realidade se traduz num aumento simultâneo dos riscos físicos e dos riscos de transição”. “Ondas de calor mais frequentes e intensas, secas prolongadas, incêndios e outros fenómenos meteorológicos extremos aumentam a pressão sobre a sinistralidade, a modelização de catástrofes naturais e a precificação do risco”, acrescenta.

Ao mesmo tempo, aponta, “à medida que os objetivos climáticos se tornam mais difíceis de alcançar, cresce também a pressão para respostas regulatórias, financeiras e económicas mais rápidas. Isso implica reavaliar ativos, investimentos, modelos de negócio e práticas de gestão do risco climático, num contexto de expectativas crescentes por parte de supervisores, investidores e restantes ‘stakeholders’”.

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