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Guerra de dados: UniCredit indica ter 37,7% do Commerzbank, mas rival questiona números

O Commerzbank questiona como é possível haver investidores a aderir a uma OPA que compensa menos do que os preços de mercado. UniCredit garante legalidade dos dados.

10 Jun 2026 - 09:31

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Bettina Orlopp, CEO do Commerzbank, e Andrea Orcel, CEO do UniCredit | Foto: Commerzbank e UniCredit, editada por Rigby Ciprião, Jornal PT50

Bettina Orlopp, CEO do Commerzbank, e Andrea Orcel, CEO do UniCredit | Foto: Commerzbank e UniCredit, editada por Rigby Ciprião, Jornal PT50

O UniCredit divulgou nesta terça-feira a sua atualização do estado da Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre o rival alemão Commerzbank e os números estão a alimentar a quezília entre as duas instituições.

De acordo com os dados revelados pelo banco italiano, este já adquiriu 10,9% das ações do Commerzbank ao abrigo da OPA, o que eleva a sua participação para 37,7%. Contudo, a empresa alemã, citada pela Reuters, acusa estes dados de serem duvidosos, argumentando que ainda não identificou um único investidor institucional que tenha aderido à transação. O banco alerta ainda que, segundo os dados ao seu dispor, a aceitação nos investidores do retalho ronda os 0,05%.

O Commerzbank aponta que as ações que estão a ser entregues ao abrigo da OPA têm origem em bancos que, eram também contrapartes do UniCredit em operações de derivados. Já a instituição liderada por Andrea Orcel acredita que a aceitação da OPA salienta a posição positiva do mercado em relação à mesma.

Mais ainda, o UniCredit refuta a abordagem do Commerzbank sobre este tópico, defendendo que o banco tem todo o direito de recomendar aos seus acionistas a rejeição da OPA, mas que não pode denegrir o processo com alegações infundadas sobre as informações divulgadas pelo proponente. A empresa garante que os dados publicados cumprem com as normas legais e não podem ser considerados enganadores.

Por sua vez, a instituição liderada por Bettina Orlopp já pediu ao regulador financeiro alemão para investigar o caso, conforme revelou na semana passada aquando da anterior divulgação de dados. O banco indica que está também a investigar a situação, justificando que não faz sentido investidores estarem a aderir à OPA quando esta tem um preço por ação inferior ao do mercado.

A aceitação da OPA, de acordo com os números divulgados pelo UniCredit, pode elevar a participação deste para 40,9%, quando se consideram os derivados na sua posse. Recorde-se que a instituição esclareceu desde o início que o seu objetivo era ficar apenas acima dos 30%.

Enquanto o UniCredit está com os olhos postos no mercado alemão e em aumentar o seu peso no Commerzbank, o seu mercado doméstico sofreu um abanão nos últimos dias com o avanço de dois dos seus rivais sobre o banco mais antigo do mundo, o Monte dei Paschi di Siena (MPS).

No domingo, o Banco BPM – ele próprio alvo de uma OPA falhada do UniCredit no ano passado – lançou um comunicado a convidar o MPS para conversações sobre uma fusão de iguais. Menos de 24 horas depois, o maior banco italiano, o Intesa Sanpaolo, chegou-se à frente com uma oferta superior a 30 mil milhões para adquirir o MPS.

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