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Investidor português em Bolsa é homem, tem mais de 45 anos, aplica cerca de 10 mil euros, mas negoceia pouco

Comissão de Mercado de Valores Mobiliários divulga 3.ª edição do Guia do Investidor, que analisou 2,14 milhões de contas relativas a 2024

06 Out 2026 - 11:39

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Supervisor europeu da Bolsa aplicou a maior multa de sempreFoto Freepick

Supervisor europeu da Bolsa aplicou a maior multa de sempreFoto Freepick

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) divulgou nesta terça-feira a 3.ª edição do Guia do Investidor, um documento dirigido a atuais e potenciais investidores não profissionais, com o objetivo de os informar e apoiar nas suas decisões de investimento. O supervisor analisou dados de 2024 relativos a 2,14 milhões de contas de registo e depósito ou de negociação de instrumentos financeiros e traçou um perfil de quem investe em Bolsa em Portugal.

De acordo com os dados recolhidos pela CMVM, cerca de 93% das contas analisadas pertencem a pessoas singulares, aproximadamente 94% estão associadas a residentes em Portugal e 99% pertencem a investidores não profissionais. Entre as pessoas singulares, observa-se uma diferença na participação por género do primeiro titular, com cerca de 63% das contas associadas a homens.

Mas uma das características mais marcantes deste retrato é a idade. Cerca de 73% das contas de pessoas singulares estão associadas a investidores com 45 ou mais anos: aproximadamente 38% têm entre 45 e 64 anos e 35% têm 65 ou mais anos. Em contraste, os investidores até aos 25 anos representam apenas cerca de 5% das contas.

Verifica-se também uma elevada concentração de contas nos escalões de investimento mais baixos. Cerca de 73% das contas apresentam uma carteira inferior a 10 mil euros.

As contas com carteiras superiores a 50 mil euros representam cerca de 10%. A distribuição do valor das carteiras não é, contudo, igual em todos os grupos etários. Entre os investidores não profissionais que são pessoas singulares, os grupos mais jovens apresentam, de forma mais acentuada, escalões de investimento inferiores.

Cerca de 77% dos investidores até aos 25 anos apresentam carteiras até 2.500 euros, proporção que desce para cerca de 52% entre os investidores com mais de 65 anos.

No sentido inverso, o peso das carteiras de maior dimensão aumenta com a idade. Apenas cerca de 0,5% dos investidores até aos 25 anos apresenta carteiras com um montante igual ou superior a 100 mil euros, enquanto essa proporção se situa em cerca de 7,6% entre os investidores com mais de 65 anos.

De acordo com a CMVM, “ter uma conta de investimento não significa negociar com frequência. Em cerca de dois terços das contas não foi realizada qualquer operação em 2024. Aproximadamente 78% das contas registaram zero ou uma operação, cerca de 12% entre duas e dez operações e menos de 10% registaram mais de dez operações”.

Os investidores entre os 25 e os 44 anos apresentam a maior intensidade de negociação: cerca de 24% das respetivas contas realizaram mais de dez operações em 2024. Essa proporção desce para aproximadamente 15% entre os investidores dos 45 aos 64 anos e para cerca de 6% entre os investidores com 65 ou mais anos.

A diferença é também visível nas contas sem atividade durante o período de análise. Entre os investidores mais velhos, é maior o peso das contas sem operações, enquanto nos grupos etários mais jovens e de idades intermédias existe uma maior presença de contas com várias transações ao longo do ano.

Os dados revelam, assim, formas diferentes de participação no mercado. Para uma parte significativa dos investidores, a negociação é pouco frequente ou mesmo inexistente ao longo de um ano. Noutros segmentos, em particular entre os investidores dos 25 aos 44 anos, observa-se uma maior frequência de operações.

Em suma, os grupos etários mais representados no universo de contas não são necessariamente os que mais negoceiam. Embora os investidores com 45 ou mais anos estejam associados à maioria das contas, a maior intensidade de negociação observa-se no grupo dos 25 aos 44 anos.

A digitalização é particularmente visível quando se observa a forma como as ordens chegam ao mercado.

Em 2024, as plataformas de negociação concentraram cerca de 78% de todas as operações. A “banca online” representou cerca de 8%, os canais tradicionais ou assistidos — balcão, telefone, correio eletrónico ou fax — pouco mais de 5% e outros canais cerca de 9%.

Mas olhar apenas para o número de operações pode dar uma imagem incompleta. Entre as contas com atividade que utilizaram apenas um canal, cerca de 37% recorreram exclusivamente a canais tradicionais, 29% à “banca online”, 25% a uma plataforma de negociação e 10% a outros canais.

Uma plataforma pode concentrar um grande número de operações realizadas por investidores mais ativos, enquanto um canal assistido pode ser utilizado por um número relevante de investidores que transacionam apenas ocasionalmente.

Os perfis associados a cada canal ilustram bem essa diferença. A idade mediana dos investidores que recorreram a plataformas de negociação é de 35 anos, face a 51 anos na “banca online” e 61 anos nos canais tradicionais.

A frequência de utilização é também distinta: a mediana é de oito operações nas plataformas, duas na banca online e apenas uma nos canais assistidos. A dimensão típica das carteiras também difere, sendo a carteira mediana das contas que utilizaram plataformas substancialmente inferior à observada nos restantes canais. A diferença por idade é particularmente expressiva.

Entre os investidores não profissionais que são pessoas singulares, cerca de 87% dos investidores até aos 25 anos não utilizaram canais tradicionais, enquanto apenas cerca de 10% recorreram exclusivamente a esses canais. Entre os investidores com mais de 65 anos, o padrão é muito diferente: cerca de 56% utilizaram exclusivamente canais tradicionais, enquanto aproximadamente um terço não os utilizou.

Os dados sugerem, assim, uma diferença clara entre grupos etários na forma de acesso ao mercado: os investidores mais jovens recorrem menos a canais tradicionais, enquanto estes mantêm uma relevância significativa entre os investidores de idades mais avançadas.

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