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Isabel Schnabel: “O que se pensava ser um episódio passageiro é muito mais persistente”
BCE revela no Boletim Económico que “o choque energético pode intensificar-se ainda mais e os seus efeitos sobre outros preços e salários podem ser mais fortes do que o previsto atualmente”
24 Set 2026 - 12:35
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Isabel Schnabell membro executivo do BCE | Foto BCE
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Isabel Schnabell membro executivo do BCE | Foto BCE
Parece existir um entendimento de que o choque energético provocado pela guerra no Irão está a revelar-se mais duradouro do que se pensava inicialmente e está a estender-se a outros produtos para além do petróleo. Segundo Isabel Schnabel, membro da Comissão Executiva do Banco Central Europeu (BCE), que falava nesta quinta-feira no Fórum Económico das Mulheres da Europa 2026, em Salsomaggiore Terme, em Itália, “inicialmente, havia dúvidas sobre se se trataria de um episódio passageiro, mas, infelizmente, verificámos que é muito mais persistente”.
“Não é apenas o petróleo; também afeta o gasóleo e o gás”, acrescentou a responsável. As afirmações de Schnabel vão ao encontro das informações disponibilizadas também nesta quinta-feira pelo BCE no seu Boletim Económico. Neste documento, o banco central liderado por Christine Lagarde alerta para o facto de que “os riscos para as perspetivas de inflação apontam para uma tendência de alta. Isso deve-se, em particular, ao conflito no Médio Oriente e aos desdobramentos da guerra injustificada da Rússia contra a Ucrânia”.
“O choque energético pode intensificar-se ainda mais e os seus efeitos sobre outros preços e salários podem ser mais fortes do que o previsto atualmente”, refere o Boletim, acrescentando que “os preços do gás, em especial, podem aumentar em caso de novas interrupções no fornecimento ou de um inverno excecionalmente rigoroso coincidir com baixos níveis de armazenamento. Quanto mais tempo os preços da energia permanecerem altos, maior a probabilidade de impulsionarem a inflação de forma mais ampla, através de efeitos indiretos e de segunda ordem”.
O BCE refere que a “renovação das tensões comerciais pode levar a cadeias de abastecimento globais mais fragmentadas, restringir o fornecimento de matérias-primas essenciais e agravar as limitações de capacidade na economia da área do euro”, salientando que “eventos climáticos extremos, potencialmente reforçados pela intensificação do El Niño, e as crises climáticas e ambientais em curso de forma mais ampla, podem elevar os preços dos alimentos mais do que o esperado”.
Num cenário em que os conflitos geopolíticos em curso forem resolvidos de forma sustentável, com o choque nos preços da energia a revelar-se menos pronunciado do que o previsto, o BCE considera que “mercados financeiros mais voláteis e avessos ao risco podem afetar a procura e, consequentemente, reduzir a inflação”.
Para já, as projeções macroeconómicas das equipas do BCE para a área do euro, referentes a setembro de 2026, apontam para uma inflação média de 3% em 2026, 2,5% em 2027 e 2,1% em 2028. Para a inflação excluindo energia e alimentos, a projeção aponta para 2,5% em 2026, 2,6% em 2027 e 2,3% em 2028.
Comparando com as projeções macroeconómicas das equipas do Eurosistema para a área do euro, referentes a junho de 2026, a projeção de referência para a inflação em 2026 permanece inalterada, enquanto para 2027 e 2028 houve uma revisão em alta.
A projeção de referência para o crescimento económico é de 0,9% para 2026, 1,4% para 2027 e 1,5% para 2028. Trata-se de uma revisão em alta tanto para 2026 como para 2027, refletindo principalmente a resiliência da economia da área do euro, que foi maior do que a esperada.
As perspetivas permanecem altamente incertas, com riscos de alta para a inflação e de baixa para o crescimento económico.
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