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Mecanismo Europeu de Estabilidade alerta para risco de recessão na zona euro em 2027
Forte reavaliação de ativos nos Estados Unidos e tensões geopolíticas prolongadas pressionam a inflação
06 Jul 2026 - 10:56
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Foto: Adobe Stock/diy13
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O Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) alertou esta segunda-feira para o risco de recessão e de aumento da inflação na zona euro em 2027, num cenário de agravamento das tensões no Médio Oriente e de turbulência financeira nos Estados Unidos.
«Num cenário adverso, com tensões geopolíticas prolongadas e uma forte reavaliação dos ativos nos Estados Unidos, a zona euro aproxima-se de uma recessão, enquanto as pressões inflacionistas se intensificam», refere o MEE no mais recente relatório, publicado esta segunda-feira, a que a agência Lusa teve acesso.
Intitulado Observatório da Estabilidade da Zona Euro 2026: Choques Globais, Defesas Internas, uma Resiliência sob Pressão, o relatório indica que, num cenário marcado por tensões geopolíticas prolongadas, que elevam os preços da energia, e pelo contágio de uma forte correção dos mercados financeiros norte-americanos, a área do euro entraria numa fase de forte desaceleração económica, culminando numa recessão em 2027.
De acordo com a análise, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro abrandaria para 0,6% em 2026 e recuaria para -0,4% em 2027.
«O choque geopolítico domina em 2026, penalizando o consumo e o investimento. Em 2027, o impacto da reavaliação dos ativos nos EUA e os efeitos de segunda ordem agravam a desaceleração, à medida que condições financeiras mais restritivas e maiores pressões sobre os custos das empresas se transmitem de forma mais intensa à economia real», refere o documento.
Segundo a análise, as exportações seriam as mais penalizadas, ficando quase 7% abaixo do esperado devido ao enfraquecimento da procura mundial. O investimento recuaria cerca de 4,5%, uma vez que as empresas adiariam projetos perante a incerteza.
O consumo das famílias também diminuiria, embora de forma mais moderada, uma vez que os salários não compensariam a perda de poder de compra.
Ao mesmo tempo, a inflação aceleraria para 3,7% em 2026 e para 3,4% em 2027, inicialmente devido à subida dos preços da energia e, mais tarde, ao aumento dos custos na economia e dos salários, tornando o choque inflacionista «mais persistente e prejudicando ainda mais o crescimento».
Este cenário analisado pelo MEE parte do pressuposto de que a política monetária não reage ao aumento da inflação.
O documento surge numa altura em que se mantém uma trégua frágil no conflito entre Israel e o Irão, após os ataques norte-americanos a instalações nucleares iranianas e a posterior retaliação de Teerão, num contexto de persistente instabilidade no Médio Oriente.
O MEE alerta que uma eventual nova escalada das tensões na região, conjugada com uma correção abrupta dos mercados financeiros norte-americanos, constitui um dos principais riscos para a economia da zona euro, podendo ter impactos significativos no crescimento económico, na inflação e nas finanças públicas.
«O impacto orçamental de curto prazo do cenário adverso considerado parece contido, mas a dinâmica da dívida no médio prazo coloca praticamente todos os países da zona euro em trajetórias ascendentes de endividamento, exigindo uma disciplina orçamental sustentada durante um período prolongado», argumenta o MEE.
O mecanismo recorda ainda o elevado nível de endividamento público, o aumento dos encargos com juros e as crescentes pressões estruturais sobre a despesa pública, fatores que «limitam a capacidade de amortecer novos choques».
O fundo permanente de resgate da zona euro apela, por isso, à preservação da estabilidade financeira e à adoção de uma «perspetiva orçamental credível», defendendo que os países evitem «medidas de caráter generalizado», nomeadamente no setor da energia.
Criado em 2012, o Mecanismo Europeu de Estabilidade é o fundo permanente de resgate da zona euro, prestando apoio financeiro aos Estados-membros que enfrentam dificuldades de financiamento.
A zona euro é composta pelos países da União Europeia que utilizam o euro como moeda oficial. Atualmente, integra 21 Estados-membros e a política monetária é conduzida pelo Banco Central Europeu.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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