4 min leitura
Mobilidade Bancária: a próxima fronteira da concorrência na banca portuguesa
Por Patrícia Domingos, Banking Manager, NTT DATA Portugal
07 Ago 2026 - 07:30
4 min leitura
Patrícia Domingos, Banking Manager, NTT DATA Portugal
Mais recentes
- Banco de Portugal diz que crédito pessoal contratado através de intermediários é mais caro do que diretamente nos bancos
- Trump insiste em juros mais baixos
- Lesados do BES exigem que o Estado lhes devolva milhões de euros à porta da casa do primeiro-ministro
- Exposição da banca a setores que contribuem para as alterações climáticas mantém-se nos 62%
- Denúncias sobre falhas de governação interna nos bancos representaram 63% dos relatórios enviados ao Mecanismo Único de Supervisão
- Portugal em 7.º lugar entre os 27 países da UE com a taxa de rentabilidade mais elevada na banca
Patrícia Domingos, Banking Manager, NTT DATA Portugal
A Autoridade da Concorrência colocou recentemente a mobilidade bancária no centro do debate sobre o futuro do setor financeiro português. À primeira vista, as recomendações para acelerar o Open Banking e preparar a evolução para o Open Finance podem parecer mais um exercício regulatório. Na realidade, antecipam uma alteração profunda na forma como os consumidores se relacionam com os serviços financeiros.
Durante muitos anos, a concorrência fez-se sobretudo através do preço, das taxas ou da amplitude da oferta. Essa realidade está a mudar. À medida que os serviços financeiros se tornam mais digitais e interoperáveis, a vantagem competitiva deixa de depender apenas dos produtos disponíveis e passa a resultar do grau de satisfação com a experiência proporcionada ao cliente.
O paradoxo português ajuda a perceber esta mudança. Os consumidores nunca utilizaram tanto os meios de pagamento digitais. Cartões, pagamentos online, carteiras digitais e transferências imediatas fazem hoje parte do quotidiano de milhões de portugueses.
Contudo, a mobilidade bancária continua reduzida. A maioria dos clientes continua a manter a mesma instituição financeira durante largos anos, apesar da crescente diversidade da oferta. Esta aparente contradição explica-se por um fator simples: digitalizar os pagamentos não significa simplificar a relação bancária.
Abrir uma conta, transferir produtos financeiros ou comparar propostas continua a implicar esforço, tempo e alguma complexidade. Enquanto estes obstáculos persistirem, a mobilidade continuará limitada. É precisamente aqui que o Open Finance poderá representar uma mudança estrutural. A possibilidade de agregar informação financeira, comparar soluções em tempo real ou transferir serviços entre instituições com maior facilidade diminuirá significativamente as barreiras da mudança para o consumidor. Tal como a portabilidade transformou o mercado das telecomunicações, também a mobilidade bancária poderá alterar o equilíbrio concorrencial no setor financeiro.
Esta transformação coloca inevitavelmente um desafio às instituições. O investimento em plataformas de dados, Inteligência Artificial, novas arquiteturas tecnológicas e modelos de Open Finance é elevado, enquanto o retorno permanece incerto.
A questão já não é apenas tecnológica; é, sobretudo, estratégica. Os bancos terão de encontrar formas de inovar sem comprometer a rentabilidade e sem depender de planos de transformação excessivamente longos ou rígidos. Neste contexto, a inovação tende a ser cada vez mais interativa e incremental. Em vez de grandes programas plurianuais, ganham relevância abordagens assentes na experimentação contínua, na validação rápida de soluções e na capacidade de ajustar propostas de valor em função da adoção pelos clientes.
Ao mesmo tempo, a concorrência deixou de se limitar às instituições financeiras tradicionais. Bancos digitais como o Revolut demonstraram que a simplicidade da experiência pode ser um fator de diferenciação tão ou mais relevante do que a diversidade da oferta. Processos de adesão rápidos, aplicações intuitivas, transparência e utilização inteligente dos dados estão a redefinir as expectativas dos consumidores. As recomendações da Autoridade da Concorrência devem, por isso, ser encaradas como uma oportunidade para acelerar a modernização do setor financeiro português. Mais do que cumprir novas exigências regulatórias, a banca terá de evoluir para modelos de negócio verdadeiramente centrados no cliente.
Atualmente a principal vantagem competitiva dificilmente será determinada por quem oferece mais produtos. Será conquistada pelas instituições que conseguirem transformar tecnologia, dados e inovação numa experiência simples, integrada e personalizada. É nessa capacidade que se jogará a próxima fase da concorrência na banca portuguesa.
Mais recentes
- Banco de Portugal diz que crédito pessoal contratado através de intermediários é mais caro do que diretamente nos bancos
- Trump insiste em juros mais baixos
- Lesados do BES exigem que o Estado lhes devolva milhões de euros à porta da casa do primeiro-ministro
- Exposição da banca a setores que contribuem para as alterações climáticas mantém-se nos 62%
- Denúncias sobre falhas de governação interna nos bancos representaram 63% dos relatórios enviados ao Mecanismo Único de Supervisão
- Portugal em 7.º lugar entre os 27 países da UE com a taxa de rentabilidade mais elevada na banca