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Moza Banco passa dos prejuízos aos lucros

Resultados do primeiro semestre somam 3,8 milhões de euros. Instituição foi intervencionada em 2016 pelo Banco de Moçambique quando tinha uma participação do Novo Banco

07 Ago 2026 - 10:38

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Foto: Moza Banco

Foto: Moza Banco

O moçambicano Moza Banco regressou aos lucros no primeiro semestre, de 273,9 milhões de meticais (3,8 milhões de euros), depois dos prejuízos registados em igual período do ano passado, reforçando simultaneamente ativos, depósitos e capital próprio.

Segundo o relatório intercalar referente aos primeiros seis meses de 2026, consultado nesta sexta-feira pela Lusa, o resultado líquido compara com prejuízos de 149,6 milhões de meticais (2,1 milhões de euros) em junho de 2025.

A margem financeira cresceu 13%, para 1,83 mil milhões de meticais (25,2 milhões de euros), enquanto as comissões líquidas aumentaram 31%, para 294,6 milhões de meticais (4 milhões de euros). Os ativos totais aumentaram 13,6% face ao final de 2025, para 72,8 mil milhões de meticais (999 milhões de euros), enquanto os depósitos de clientes cresceram 6,1%, para 56 mil milhões de meticais (769 milhões de euros).

O passivo total aumentou 14,5%, para 66,7 mil milhões de meticais (915 milhões de euros), refletindo sobretudo o crescimento dos depósitos e do recurso a financiamento junto do banco central e de outras instituições de crédito. Já a carteira líquida de crédito a clientes diminuiu 7,1%, para 13,7 mil milhões de meticais (188 milhões de euros), mantendo a tendência de redução observada ao longo de 2025.

O capital próprio do banco aumentou 5,4%, para 6,1 mil milhões de meticais (84 milhões de euros), sustentado pelo regresso aos resultados positivos.

Em 2025, o Moza Banco, um dos cinco maiores bancos do país, registou prejuízos de 3.919 milhões de meticais (52,3 milhões de euros), resultado que a administração justificou então com uma estratégia de reforço de imparidades e saneamento de exposições de crédito.

Na altura, o banco reportou um crescimento de 16,5% da base de clientes, para mais de 305 mil, depósitos de 53,8 mil milhões de meticais (718,6 milhões de euros) e uma redução de 29,4% da carteira líquida de crédito. Os ativos totais recuaram 1% em 2025, para 64,1 mil milhões de meticais (856 milhões de euros).

O regresso aos lucros acontece também numa altura em que a instituição voltou ao centro do debate público em Moçambique, 10 anos depois da intervenção do Banco de Moçambique.

O governador do banco central, Rogério Zandamela, afirmou no final de julho, praticamente como balanço dos 10 anos no cargo, que teve apenas alguns segundos para decidir entre salvar ou liquidar o banco em setembro de 2016.

“Eu tive menos de um, dois minutos para tomar essa decisão. Salvar ou liquidar. Foi assim, questão de segundos”, afirmou então o governador, acrescentando que o banco “já estava morto” e apresentava capitais próprios negativos.

Esta semana, o regulador divulgou um comunicado em que indicou que o Moza Banco apresentava, antes da intervenção, fundos próprios negativos de 24,9 mil milhões de meticais (336 milhões de euros), um rácio de solvabilidade de -100,21% e incapacidade para honrar pagamentos de cheques e outros instrumentos dos clientes, defendendo que a medida evitou um risco sistémico para o setor financeiro.

O esclarecimento toca ainda a decisão do Tribunal Administrativo, que anulou em 2025 os atos administrativos praticados pelo banco central na intervenção por questões processuais. O regulador sustenta, contudo, que o acórdão não colocou em causa os fundamentos da decisão nem a situação financeira da instituição.

Intervencionado em 2016 pelo Banco de Moçambique – quando era participado pelo português Novo Banco -, é atualmente detido em 66,1% pela Kuhanha – Sociedade Gestora do Fundo de Pensões dos trabalhadores do Banco de Moçambique, pela Arise B.V., com 30,7%, e pela Moçambique Capitais, com 3,2%.

Agência Lusa

Editado por Jornal PT50

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