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DBRS sobe classificação do Millennium bcp face à forte rentabilidade dos últimos anos
Agência de rating melhora as notações de emitente de longo prazo e dos depósitos de longo prazo e diz que perfil de risco melhorou significativamente na última década
21 Set 2026 - 14:18
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Millennium bcp/Foto: Luís Alves Almeida | Jornal PT50
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Millennium bcp/Foto: Luís Alves Almeida | Jornal PT50
A DBRS Ratings GmbH (Morningstar DBRS) anunciou nesta segunda-feira que reviu em alta os ratings de crédito do Banco Comercial Português, S.A. (BCP ou o Grupo), incluindo o Rating de Emitente de Longo Prazo, que passou para “A”, de “A (menos)”. Foi também revista em alta a notação de crédito dos Depósitos de Longo Prazo do Grupo, para “A (+)”, de “A”, um nível acima da Avaliação Intrínseca (IA, na sigla em inglês). Esta revisão reflete o enquadramento jurídico em Portugal, que confere aos depositantes preferência integral nos processos de insolvência e resolução bancária.
Ao mesmo tempo, a Morningstar DBRS confirmou o Rating de Emitente de Curto Prazo e a notação de crédito dos Depósitos de Curto Prazo do BCP em “R-1”.
“A subida dos ratings de crédito reflete a rentabilidade forte e resiliente do Grupo nos últimos anos, sustentada por um crescimento sólido do crédito, uma margem financeira elevada, custos operacionais bem controlados e um custo do risco moderado”, dizem os analistas.
A Morningstar DBRS considera que o Grupo está bem posicionado para manter os atuais níveis de rentabilidade, apoiado pela resiliência da economia e do mercado de trabalho portugueses, apesar de um contexto macroeconómico mundial desafiante, pela continuidade do crescimento do crédito, por um enquadramento favorável das taxas de juro e pela manutenção de uma política de disciplina nos custos.
A rentabilidade deverá também beneficiar da redução das provisões associadas aos créditos hipotecários denominados em francos suíços do passado, na subsidiária polaca do Grupo, à medida que os riscos associados a esta carteira continuam a diminuir.
Os ratings de crédito incorporam igualmente a melhoria contínua dos indicadores de qualidade dos ativos do BCP, refletindo os esforços ativos de redução do risco por parte do Grupo e o reforço do seu quadro de gestão de risco ao longo da última década.
Além disso, os ratings refletem a forte capitalização do BCP, incluindo margens significativas face aos requisitos regulamentares mínimos, bem como o seu sólido perfil de financiamento e liquidez.
Com ativos totais de 114,8 mil milhões de euros no final de junho de 2026, o BCP é o maior grupo bancário privado de Portugal, com quotas de mercado sólidas tanto no crédito como nos depósitos.
O Grupo tem também uma presença significativa na Polónia e, em menor escala, em Moçambique, Angola e Macau. As atividades internacionais representavam cerca de 35% dos ativos consolidados do Grupo no final de junho de 2026 e aproximadamente 17% do seu resultado líquido no primeiro semestre de 2026.
O BCP detém uma participação de 50,1% no Bank Millennium S.A. (Bank Millennium), o sétimo maior banco da Polónia em termos de ativos totais e o principal contributo para os resultados líquidos do BCP fora de Portugal.
Segundo a DBRS, “o BCP apresentou mais um conjunto de resultados fortes no primeiro semestre de 2026, com o resultado líquido a aumentar 12,7% em termos homólogos, para 566,1 milhões de euros, suportado pelo aumento das receitas recorrentes e pela redução das provisões relacionadas com os processos judiciais relativos a créditos hipotecários denominados em francos suíços na Polónia”.
Portugal manteve-se como o principal contributo para os resultados, representando 83% do resultado líquido do Grupo.
O produto bancário líquido de juros aumentou 3,4% em termos homólogos, impulsionado pelo forte crescimento do crédito e pela redução dos custos de financiamento, enquanto as comissões líquidas cresceram 5,8%, apoiadas pelo forte dinamismo da bancassurance e da gestão de patrimónios, bem como pelo crescimento do crédito.
Os custos operacionais aumentaram 5,4% em termos homólogos, refletindo as pressões inflacionistas e os custos mais elevados com tecnologias de informação e compliance. Ainda assim, o rácio de eficiência do Grupo manteve-se praticamente inalterado nos 37%.
As provisões para perdas de crédito aumentaram 16,3% em termos homólogos, refletindo o crescimento do crédito e a ausência do benefício extraordinário resultante da venda de carteiras de crédito registado na Polónia no primeiro semestre de 2025.
Consequentemente, o custo líquido do risco do Grupo, calculado pela Morningstar DBRS, aumentou para 36 pontos base (pb), face aos 33 pb registados no primeiro semestre de 2025.
No entanto, as outras provisões diminuíram significativamente, refletindo sobretudo a redução das provisões relacionadas com os processos judiciais relativos aos créditos hipotecários denominados em francos suíços na Polónia.
O ROE (rendibilidade dos capitais próprios) do Grupo, calculado pela Morningstar DBRS, melhorou para 15%, face aos 14,5% registados no primeiro semestre de 2025.
O perfil de risco do Grupo melhorou significativamente ao longo da última década, refletindo a redução ativa do risco do balanço, um esforço substancial de constituição de provisões e o reforço dos critérios de concessão de crédito.
Os créditos brutos classificados em Stage 3, ou créditos não produtivos (NPL), diminuíram 10,5% em termos homólogos e 4% face ao final de 2025, no final de junho de 2026, apoiados pela evolução favorável das condições macroeconómicas em Portugal.
O rácio líquido de NPL do Grupo, calculado pela Morningstar DBRS, situava-se em 0,1%, significativamente abaixo da média de 1,1% dos seus pares europeus, no final de março de 2026.
Na Polónia, os riscos associados à carteira de créditos hipotecários denominados em francos suíços do passado do Bank Millennium diminuíram substancialmente, embora esta carteira continue a representar uma fonte relevante de risco jurídico.
A carteira diminuiu 26,1% face ao final de 2025 e representava 1,3% do crédito bruto do Grupo no final de junho de 2026.
Os encargos relacionados diminuíram 64,9% em termos homólogos no primeiro semestre de 2026, enquanto as provisões acumuladas representavam 142% do montante em dívida da carteira de créditos hipotecários denominados em francos suíços no final de junho de 2026.
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