4 min leitura
Sharon Donnery: «Os conselhos de administração continuam responsáveis pelas decisões baseadas em IA»
Membro do Conselho de Supervisão do BCE defende o relatório sobre a competitividade da banca na União Europeia apresentado por Maria Luís Albuquerque
28 Jul 2026 - 13:50
4 min leitura
Sharon Donnery, membro do Conselho de Supervisão do BCE Foto: LinkedIn
Mais recentes
- Seguradoras indemnizaram 80% dos prejuízos em habitações causados pela Kristin
- FMI alerta para o crescimento dos criptoativos no Brasil
- Grupo Santander e British Council abrem 10 mil vagas para aprender inglês em 12 países
- MPS e BPM em conversações sobre fusão amigável para pôr travão na OPA do Intesa Sanpaolo
- Perdas cambiais do Banco de Moçambique sem cobertura do Estado cresceram 201 milhões
- Banco de Espanha faz exercício sobre um «mundo sem dinheiro físico»
Sharon Donnery, membro do Conselho de Supervisão do BCE Foto: LinkedIn
Sharon Donnery, membro do Conselho de Supervisão do Banco Central Europeu (BCE), defende que os conselhos de administração dos bancos não podem ser desresponsabilizados pelas decisões baseadas em inteligência artificial (IA) e manifesta apoio ao relatório sobre a competitividade da banca na União Europeia (UE), apresentado pela comissária europeia para os Serviços Financeiros, Maria Luís Albuquerque.
Numa entrevista ao jornal digital grego Liberal.gr, a responsável do BCE aborda ainda temas da atualidade, como a evolução dos testes de esforço, que passarão a incorporar não só os riscos geopolíticos, mas também os riscos relacionados com as alterações climáticas.
Relativamente à utilização da IA, Donnery é perentória: «A IA abre enormes oportunidades para os bancos, desde o atendimento ao cliente até à gestão do risco. Mas a inovação deve caminhar lado a lado com uma governação sólida. Os bancos não podem transferir a responsabilidade para um algoritmo. Os conselhos de administração e a gestão de topo continuam responsáveis pelas decisões baseadas em IA e devem compreender onde esta tecnologia é utilizada, os riscos que cria e a forma como esses riscos são controlados. A inovação só gera valor quando é acompanhada por uma governação sólida, uma resiliência operacional robusta e uma gestão eficaz do risco.»
A responsável acrescenta que «os novos modelos de IA estão também a transformar o panorama das ameaças cibernéticas, como foi recentemente salientado pelo Comité Europeu do Risco Sistémico». Segundo Donnery, «estes modelos podem acelerar drasticamente a descoberta e a exploração de vulnerabilidades, deixando aos bancos muito menos tempo para detetar ameaças, corrigir sistemas e responder a ataques. Esperamos igualmente que reforcem a sua resiliência cibernética, a capacidade de resposta a incidentes e a supervisão dos prestadores de serviços terceiros considerados críticos. Foi por isso que a Supervisão Bancária do BCE solicitou aos bancos que apresentassem planos de ação até outubro, através da recente carta enviada aos presidentes executivos (CEO), conhecida como “Dear CEO letter”.»
No que respeita ao relatório sobre a competitividade da banca na UE, apresentado em 17 de julho pela comissária Maria Luís Albuquerque, Sharon Donnery considera que «o relatório da Comissão reconhece, de forma acertada, que a conclusão da União Bancária, o aprofundamento da União da Poupança e do Investimento e a redução da complexidade desnecessária devem constituir prioridades».
Quanto à proposta da Autoridade Bancária Europeia (EBA) de simplificar os testes de esforço a partir de 2027, a responsável afirma que «apoiamos todas as iniciativas que tornem os testes de esforço mais eficazes e proporcionais, preservando simultaneamente o seu valor para a supervisão. Precisamos de simplificar estes exercícios sem reduzir o seu rigor, para que continuem a ser um instrumento eficaz na preservação da segurança e da solidez do sistema financeiro».
Donnery sublinha ainda que «os testes de esforço devem evoluir em paralelo com os riscos enfrentados pelos bancos, incluindo os riscos climáticos e ambientais, cujas implicações financeiras são cada vez mais relevantes».
«Ao mesmo tempo, o BCE está a complementar os testes de esforço tradicionais com abordagens mais direcionadas. Por exemplo, o teste de esforço geopolítico de 2026 solicita aos bancos que identifiquem uma combinação de acontecimentos geopolíticos suscetíveis de representar um desafio sério para a sua resiliência e demonstrem de que forma reagiriam. Ferramentas diferentes servem propósitos diferentes e, em conjunto, proporcionam aos supervisores uma visão mais completa da resiliência do setor bancário. O objetivo é simples: dedicar menos esforço à recolha de informação e mais à compreensão dos riscos», conclui.
Mais recentes
- Seguradoras indemnizaram 80% dos prejuízos em habitações causados pela Kristin
- FMI alerta para o crescimento dos criptoativos no Brasil
- Grupo Santander e British Council abrem 10 mil vagas para aprender inglês em 12 países
- MPS e BPM em conversações sobre fusão amigável para pôr travão na OPA do Intesa Sanpaolo
- Perdas cambiais do Banco de Moçambique sem cobertura do Estado cresceram 201 milhões
- Banco de Espanha faz exercício sobre um «mundo sem dinheiro físico»