Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

4 min leitura

Regulador britânico traça o retrato de como a inteligência artificial poderá transformar os serviços financeiros de retalho até 2030

Principal preocupação passa por adaptar o enquadramento regulatório ao ritmo acelerado da inovação tecnológica

09 Jul 2026 - 11:54

4 min leitura

#image_title

#image_title

A principal autoridade de supervisão da conduta dos mercados financeiros no Reino Unido, a Financial Conduct Authority (FCA), divulgou esta semana um estudo que analisa de que forma a inteligência artificial (IA) poderá transformar os serviços financeiros de retalho para consumidores, empresas, mercados e reguladores até 2030 e nos anos seguintes.

Liderada por Sheldon Mills, diretor executivo da FCA, e encomendada pelo conselho de administração da entidade, a denominada “Revisão Mills” é apresentada pela FCA como o primeiro exercício desta natureza promovido por um regulador financeiro a nível mundial.

Com base em contributos de representantes de todo o setor financeiro, o relatório identifica quatro grandes áreas de transformação impulsionadas pela IA: a modernização das operações das empresas, a evolução da experiência dos consumidores, a reconfiguração da concorrência e do poder de mercado e o aumento dos riscos associados à fraude e à cibersegurança.

O relatório conclui que já existe um interesse significativo dos consumidores na utilização de soluções de IA com capacidade para atuar autonomamente na gestão das finanças pessoais. Um inquérito encomendado pela FCA indica que um quinto da população — cerca de 11 milhões de adultos no Reino Unido — admite recorrer a sistemas de IA capazes de agir de forma autónoma, dentro de objetivos previamente definidos. Ainda assim, os consumidores manifestam preocupações quanto à confiança, ao controlo e à transparência destes sistemas.

O estudo conclui que a inteligência artificial deverá tornar-se uma força determinante nos serviços financeiros de retalho, transformando a forma como as instituições operam, como os consumidores tomam decisões financeiras e como os mercados funcionam. Embora a IA tenha potencial para melhorar o acesso aos serviços financeiros, aumentar a personalização da oferta e reforçar a eficiência, também poderá ampliar os riscos relacionados com fraude, cibersegurança, proteção dos consumidores e concentração do mercado.

Sheldon Mills considera que «a inteligência artificial transformará os serviços financeiros até 2030», acrescentando que a tecnologia «cria oportunidades significativas para consumidores, empresas e para a economia em geral». Segundo o responsável, o relatório estabelece um roteiro para que os reguladores e o Governo britânico possam preparar-se para a próxima fase de transformação impulsionada pela IA no setor financeiro.

Entre as principais recomendações da Revisão Mills destacam-se:

  • garantir que o perímetro regulatório acompanha a evolução tecnológica;
  • reforçar a coordenação e a supervisão em todo o sistema financeiro;
  • acompanhar a transição para modelos de IA cada vez mais autónomos, adaptando o enquadramento regulatório;
  • expandir o Laboratório de IA da FCA, apoiando o desenvolvimento e teste de novos modelos de inteligência artificial no setor financeiro;
  • criar as condições para o desenvolvimento de serviços financeiros mais proativos e personalizados.

O relatório recomenda ainda a criação de um modelo de supervisão regulatória apoiado por inteligência artificial e o desenvolvimento de um serviço público de capacitação financeira baseado em IA, fiável e orientado para o interesse dos consumidores.

O presidente da FCA, Ashley Alder, afirmou que «o Conselho está profundamente grato a Sheldon Mills pelo relatório abrangente que apresentou», sublinhando que o documento antecipa «a mudança estrutural que a inteligência artificial orientada para resultados irá trazer aos serviços financeiros». Segundo Alder, o estudo demonstra que consumidores e empresas poderão beneficiar significativamente desta transformação, desde que os riscos sejam devidamente geridos.

«Como o relatório demonstra claramente, precisamos de acompanhar um ambiente em rápida transformação. A nossa abordagem baseada em princípios e orientada para resultados continuará a orientar a forma como regulamos a utilização da inteligência artificial. As recomendações agora apresentadas assentam no trabalho que a FCA já tem vindo a desenvolver, nomeadamente ao permitir que as empresas testem soluções de IA connosco, bem como na utilização interna desta tecnologia para tornar a FCA um regulador mais inteligente, eficiente e eficaz», acrescentou.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade