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NovoBanco lucra 585,6 milhões até setembro, com rentabilidade de 17,7%
Resultado líquido recuou 4,1% face ao período homólogo, penalizado pelo aumento dos custos operacionais e por uma taxa efetiva de imposto superior. Crédito a clientes cresceu 8,3% e rácio CET1 fixou-se em 18,4%
03 Nov 2026 - 16:59
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Mark Bouke CEO do Novo Banco
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Mark Bouke CEO do Novo Banco
O NovoBanco registou um resultado líquido de 585,6 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2026, menos 4,1% do que no mesmo período do ano passado. A instituição, liderada por Mark Bourke, alcançou uma rendibilidade dos capitais próprios tangíveis (RoTE) de 17,7%, num período marcado pelo crescimento da atividade comercial e por custos extraordinários associados ao processo de venda do banco.
Segundo um comunicado nesta terça-feira da instituição financeira à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) o resultado líquido foi de 200,7 milhões de euros no primeiro trimestre, 166,6 milhões no segundo e 218,4 milhões no terceiro trimestre.
O produto bancário comercial aumentou 2,5% em termos homólogos, para 1.122,2 milhões de euros, impulsionado pela evolução da margem financeira, que cresceu 3,3%, para 856 milhões de euros. Esta evolução foi sustentada pelo crescimento da atividade de crédito e por uma estratégia de cobertura da margem financeira, num contexto de taxas de juro mais elevadas.
A margem financeira líquida (NIM) situou-se em 2,49% nos primeiros nove meses, tendo atingido 2,51% no terceiro trimestre. As comissões mantiveram-se estáveis em 266,2 milhões de euros.
Os custos operacionais totalizaram 426,9 milhões de euros, um aumento de 11,1% face aos primeiros nove meses de 2025. Consequentemente, o rácio Cost-to-Income fixou-se em 38%, contra 35,1% no período homólogo. Excluindo os encargos extraordinários relacionados com o processo de venda do banco, este indicador situar-se-ia em 35,3%.
Crédito a clientes cresce 8,3%
A carteira líquida de empréstimos a clientes atingiu 32.600 milhões de euros no final de setembro, um crescimento de 8,3% face a dezembro de 2025.
A expansão foi transversal aos segmentos de empresas e particulares, com os empréstimos líquidos a empresas a aumentarem 8,8% e os destinados a particulares 7,7%. A aquisição da unidade de negócio de cartões de crédito do Unibanco contribuiu com aproximadamente 300 milhões de euros para o crescimento da carteira, reforçando a atividade de retalho.
A originação de crédito ascendeu a 5.100 milhões de euros, mais 6% do que nos primeiros nove meses de 2025. Do total da nova produção, 61% destinou-se a empresas, 27% ao crédito à habitação e 12% ao crédito ao consumo. Cerca de 30% do novo financiamento foi considerado elegível como financiamento verde.
No segmento de empresas, o banco registou uma quota de mercado de 18,4% no financiamento a médias empresas, mais 0,2 pontos percentuais do que em dezembro de 2025. Os volumes de Factoring e Confirming atingiram 4.500 milhões de euros.
A instituição destaca ainda uma taxa de satisfação de 97% entre os clientes empresariais e o reconhecimento como «Melhor Banco para PME em Portugal» pelas publicações Euromoney e Global Finance.
No retalho, o crédito ao consumo cresceu 22,7%, enquanto as vendas através dos canais digitais passaram a representar 66% das vendas totais, mais 14 pontos percentuais do que no período homólogo.
Depósitos ultrapassam 32.900 milhões de euros
Os depósitos de clientes ascenderam a 32.900 milhões de euros no final de setembro, um aumento de 2,7% face a dezembro de 2025.
Os recursos totais de clientes, incluindo os recursos fora de balanço, atingiram 48.400 milhões de euros, mais 2,9% do que no final do ano passado. A quota de mercado dos depósitos manteve-se em 9,3%.
O novobanco conservou uma quota de mercado global de 9,2%, de acordo com os dados de agosto de 2026.
Rácio CET1 de 18,4% e qualidade dos ativos
Em termos prudenciais, o banco apresentou um rácio de fundos próprios principais de nível 1 (CET1) de 18,4%, refletindo a capacidade de geração de capital e a robustez do balanço.
A qualidade dos ativos manteve-se elevada, com o custo do risco em -21 pontos base, um rácio líquido de crédito não produtivo (NPL) de 0,3% e uma taxa de cobertura dos NPL de 89%.
O valor contabilístico tangível (Tangible Book Value) ascendeu a 4.784 milhões de euros, um crescimento de 13,5% face a setembro de 2025.
Integração no Grupo BPCE
A divulgação dos resultados surge numa fase de integração do novobanco no grupo bancário francês BPCE, na sequência da aquisição da instituição portuguesa.
Mark Bourke considera que os resultados dos primeiros nove meses refletem a solidez do modelo de negócio, a confiança dos clientes e o empenho das equipas.
«A integração no Grupo BPCE está a decorrer de forma consistente e em total alinhamento com a nossa visão de longo prazo», afirmou o presidente executivo do novobanco.
O responsável considera que a experiência acumulada pelo grupo francês permitirá alargar progressivamente a oferta de produtos e soluções disponibilizados aos clientes, mantendo a proximidade e o conhecimento do mercado português.
Segundo Mark Bourke, a integração permitirá reforçar a experiência dos clientes, acelerar a criação de valor e contribuir para o crescimento da economia portuguesa.
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